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Alunos da Esalq vendem manual com ofensas a calouros

Material também faz apologia ao consumo de álcool. Nesta terça-feira, CPI que investiga violação dos direitos humanos nas universidades apresenta relatório final

Alunos da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo, em Piracicaba, venderam um “manual de calouros” com mensagens ofensivas e de apologia ao consumo de álcool no início do ano letivo na instituição. O material integra o “kit bixo”, que também inclui um ingresso para a festa dos calouros da Esalq e traz hinos como: “É pinga, cerveja e chope no barril / As nossas buc… são as melhores do Brasil”.

O professor do Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Esalq Antonio Almeida, que estuda o trote nas universidades há 14 anos, foi quem relatou a prática. Ele deve fazer denúncia formal à unidade ainda nesta terça-feira. A Esalq afirma que tem conhecimento do manual e abrirá sindicância para apurar quem são os autores. A escola ressalta, no entanto, que não patrocinou o material nem esteve envolvida com sua produção editorial e gráfica.

O manual faz apologia ao uso de álcool e convida os novos alunos para uma “maratona”, competição de ingestão de bebidas alcoólicas semelhante àquela em que morreu Humberto Moura Fonseca, de 23 anos, estudante da Unesp, em Bauru.

O manual é assinado pelo Centro Acadêmico Luiz de Queiroz (Calq) e pela Comissão de Integração – grupo de alunos responsável pelos eventos para os calouros.

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CPI das universidades – A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) organizada pela Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) que investigou violações de direitos humanos nas universidades paulistas chegou ao fim. A CPI irá apresentar o relatório final na tarde desta terça-feira. Desde de dezembro de 2014, a CPI ouviu alunos, professores e reitores de sete universidades.

No dia 26 de fevereiro, a Comissão divulgou o relatório preliminar de medidas com sugestões para as instituições de ensino. O documento, assinado pelo presidente da CPI, deputado Adriano Diogo (PT), pedia a responsabilização civil, criminal e administrativa de membros dos centros acadêmicos envolvidos em denúncias de violação dos diretos humanos e das pessoas jurídicas responsáveis por eventos como a festa Show da Medicina e os encontros de estudantes Intermed e Calomed.

(Com Estadão Conteúdo)