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Zona do Euro recorre ao FMI para enfrentar crise

Os ministros da Zona do Euro trabalharão para aumentar os recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI) visando ajudar a Europa a enfrentar a crise da dívida, anunciou o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, nesta terça-feira.

“Concordamos em examinar rapidamente um aumento dos recursos do FMI através de empréstimos bilaterais”, declarou Juncker em entrevista coletiva ao final da reunião dos 17 ministros da Economia da Zona do Euro em Bruxelas.

O objetivo é conseguir que a capacidade do FMI “possa, de maneira adequada, corresponder à nova capacidade do FEEF” (Fundo Europeu de Estabilidade Financeira) para “cooperar com este mecanismo de maneira mais estreita”.

Os chefes da economia da Eurozona garantiram aos investidores que o FEEF avalizará, a partir de dezembro, entre 20% e 30% das eventuais perdas com títulos da dívida dos países europeus, mas advertiram que devido ao agravamento da crise, o Fundo Europeu já não terá uma capacidade de intervenção de um trilhão de euros, como o previsto inicialmente.

“As condições mudaram, então já não podemos falar em um trilhão de euros, apenas em uma cifra menor”, advertiu Jean Claude Juncker.

Segundo o diretor do FEEF, Klaus Regling, através de uma “proteção parcial dos riscos” os europeus tentam alentar os investidores a comprar papéis da dívida das economias mais ameaçadas.

A ideia é multiplicar o potencial do FEEF para que possa conceder linhas de crédito preventivas, intervir nos mercados primário e secundário da dívida e financiar, se necessário, a recapitalização dos bancos europeus.

“De qualquer maneira, esperamos grandes investimentos nos próximos dias”, disse Regling.

Os ministros consideraram as opções para potencializar seus instrumentos financeiros focados principalmente na ajuda à Itália, a terceira economia da Eurozona, que nesta terça-feira sofreu um duro revés dos mercados da dívida.

O FEEF conta atualmente com 250 bilhões de euros, após socorrer Irlanda e Portugal.

O ministro de Luxemburgo, Luc Frieden, explicou que o “FEEF não poderá solucionar todos os problemas e por isso será preciso ajuda do Banco Central Europeu (BCE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI)”.

Nesta quarta-feira, os debates serão ampliados aos 27 sócios da União Europeia, para preparar a reunião europeia de 8 e 9 de dezembro.

A ideia é encontrar uma solução o quanto antes para poder ajudar a Itália, terceira economia da Eurozona.

O Tesouro italiano conseguiu colocar hoje 7,5 bilhões de euros em bônus a três, nove e 11 anos, mas a taxas recordes, que superaram amplamente o patamar dos 7%, um nível considerado insustentável no longo prazo para o país, que possui uma dívida de 1,9 trilhão de euros (120% do PIB).

Presente na reunião, o chefe do governo italiano, Mario Monti, apresentou seus planos para reduzir a dívida do país.

A Comissão Europeia pediu à Italia que realize mais reformas e as aplique rapidamente.

Os pedidos desesperados à Europa para que atue rapidamente ante a crise se multiplicam, ao mesmo tempo em que aumentam as advertências de que o euro tem seus dias contados.

“Os europeus precisam agir com força e determinação”, disse o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, num encontro realizado ontem com dirigentes europeus.