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Zona do euro cresce 0,2% no 3o tri e beira recessão

Por Da Redação 15 nov 2011, 17h03

Por Brian Rohan e Daniel Flynn

BERLIM/PARIS (Reuters) – A economia da zona do euro cresceu apenas 0,2 por cento no terceiro trimestre, com a expansão da Alemanha e da França sendo ofuscada pelo desempenho fraco de países do centro da crise de dívida. Nesse cenário, economistas esperam uma recessão já para o início do ano que vem.

O crescimento do período entre julho e setembro foi o mesmo registrado no segundo trimestre, mas a perspectiva para os últimos três meses de 2011 é ruim, com a crise crescente da região pressionando a confiança do consumidor e do empresário.

“A baixa econômica acelerará nos próximos meses”, disse Christoph Weil, economista do Commerzbank. “Nós esperamos que o PIB real caia já no último trimestre de 2011, a uma taxa de 0,25 por cento sobre o terceiro trimestre.”

Reforçando essa opinião, o índice de confiança econômica do instituto alemão ZEW caiu para menos 55,2 em novembro, abaixo do dado de outubro e das previsões de economistas. De acordo com o ZEW, os problemas políticos e econômicos de Grécia e Itália aumentaram a incerteza sobre o futuro.

E a crise de dívida só deve piorar as coisas nos próximos meses, com países como Itália, Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha implementando medidas de aperto fiscal para impedir que os mercados de bônus lhes obriguem a declarar moratória. Economistas dizem que não há estratégia de crescimento visível com capacidade de compensar esses cortes.

A Comissão Europeia prevê que a economia dos 17 países que usam o euro encolherá 0,1 por cento nos últimos três meses do ano sobre o terceiro trimestre, com estagnação projetada para o primeiro trimestre de 2012.

Segundo economistas, é bem provável agora que haja uma recessão, ou seja, dois trimestres seguidos de contração econômica, embora sua duração e profundidade dependam da reação política à crise.

ALEMANHA E FRANÇA

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A economia da Alemanha cresceu 0,5 por cento entre julho e setembro, em linha com as previsões do mercado. O crescimento do segundo trimestre foi revisado de 0,1 para 0,3 por cento.

Carsten Brzeski, economista do ING, disse que o crescimento alemão foi ajudado pelo euro fraco, pela política monetária muito expansionista e pelos custos de financiamento extremamente baixos do governo — com investidores buscando a segurança dos bônus do país.

Porém, “com França e Itália aparentemente se afundando no redemoinho da crise de dívida, a economia alemã perdeu sua imunidade. As medidas de austeridade na França e na Itália também prejudicarão as exportadoras alemães”, advertiu Brzeski.

A França, segunda maior economia da zona do euro depois da Alemanha, expandiu-se 0,4 por cento no terceiro trimestre, após contração de 0,1 por cento nos três meses anteriores.

DOR DA AUSTERIDADE

A Espanha, quarta maior economia do euro, ficou estagnada no terceiro trimestre. Com a crise de dívida restringindo ainda mais a atividade e com os prováveis vencedores das eleições de domingo prometendo mais aperto fiscal, a recessão não pode ser descartada.

O vizinho Portugal, que recebeu ajuda financeira da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI), já está em recessão e sua crise aumentou no terceiro trimestre. Nesse período, a economia encolheu 0,4 por cento sobre os três meses anteriores.

A economia azedou mesmo em alguns países fora da crise de dívida: o PIB da Holanda caiu 0,3 por cento. Enquanto isso, Áustria e Eslováquia cresceram à mesma magnitude.

(Reportagem adicional de Robin Emmott em Bruxelas)

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