ASSINE VEJA NEGÓCIOS

YouTube oferece milhões para impedir avanço da Netflix sobre seus criadores

Plataforma negocia contratos de exclusividade e pode retirar benefícios de canais que publiquem simultaneamente no serviço rival, segundo a Bloomberg

Por Ligia Moraes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 20 ago 2026, 16h27
YouTube oferece milhões para impedir avanço da Netflix sobre seus criadores Priorizar nos meus resultados Google

O YouTube está disposto a pagar milhões de dólares para manter alguns de seus criadores mais populares longe da Netflix. A plataforma negocia o financiamento de programas e outras vantagens financeiras em troca da publicação exclusiva dos vídeos durante períodos determinados.

Continua após a publicidade

As conversas foram reveladas pela Bloomberg, que ouviu pessoas familiarizadas com as negociações. Ainda não há contratos concluídos, mas o YouTube estaria próximo de fechar acordos com alguns parceiros.

O movimento é uma reação ao avanço da Netflix sobre uma área historicamente dominada pelo YouTube. A empresa de streaming tem procurado canais populares e oferecido dinheiro para incluir em seu catálogo vídeos que já são produzidos para a internet.

Continua após a publicidade

Como funcionariam os pagamentos?

O YouTube discute duas formas principais de remuneração. Uma delas seria financiar diretamente programas produzidos pelos criadores. A outra prevê repassar a eles uma parcela da receita obtida em grandes campanhas publicitárias negociadas pela plataforma.

Os valores e as condições variam conforme o canal. Em ao menos uma das conversas, segundo o Business Insider, a proposta verbal ficou na casa dos milhões de dólares. Em contrapartida, o conteúdo teria de permanecer exclusivamente no YouTube durante um intervalo definido.

Continua após a publicidade

A estratégia representa uma mudança relevante no relacionamento da plataforma com seus criadores. O YouTube tradicionalmente remunera os canais por meio da divisão da receita de anúncios e assinaturas, sem pagar diretamente pela exclusividade da maior parte dos programas.

A empresa afirma ter distribuído mais de 100 bilhões de dólares a criadores, artistas e grupos de mídia nos últimos quatro anos. A quantia inclui pagamentos feitos pelo seu sistema regular de monetização.

Criadores podem perder benefícios

O YouTube também teria alertado que canais que publiquem simultaneamente na Netflix poderão perder algumas vantagens dentro da plataforma. Entre elas estariam a participação em campanhas de marketing, eventos promovidos pela empresa e negócios publicitários fechados com grandes marcas.

Continua após a publicidade

Não se trata, até agora, de uma suspensão dos canais nem da retirada da receita normal obtida com anúncios. As possíveis restrições atingiriam benefícios adicionais oferecidos pelo YouTube.

A plataforma não anunciou publicamente uma nova política de exclusividade. As medidas foram relatadas por fontes ouvidas pela Bloomberg e pelo Business Insider, sem identificação porque as negociações são reservadas.

Por que a Netflix está atrás dos youtubers?

A Netflix passou a buscar criadores com grandes audiências para ampliar sua oferta de conteúdos mais baratos e frequentes. Em alguns casos, a empresa licencia vídeos que continuam disponíveis no YouTube, permitindo que o responsável pelo canal receba por uma produção já concluída e alcance outro público.

Continua após a publicidade

Criadores como Alan Chikin Chow e Nick DiGiovanni já fecharam acordos desse tipo. A Netflix também mantém conversas com dezenas de canais e programas, incluindo o talk show de entrevistas com celebridades Hot Ones, segundo a Bloomberg.

Para os criadores, a proposta abre uma nova fonte de receita e dá acesso à base de mais de 300 milhões de assinantes pagos da Netflix. Existem, porém, algumas exigências: determinados conteúdos precisam ser entregues com antecedência e patrocínios inseridos originalmente nos vídeos podem ter de ser retirados.

Disputa migrou para a televisão

A aproximação entre as duas empresas ganhou força à medida que o YouTube deixou de ser consumido apenas em celulares e computadores. A plataforma ampliou sua presença nas televisões e passou a disputar o mesmo tempo de tela ocupado pelos serviços tradicionais de streaming.

A Netflix, por sua vez, avançou sobre formatos associados aos criadores digitais, como podcasts em vídeo e programas produzidos originalmente para a internet. A plataforma já licenciou conteúdos nascidos no YouTube, como a animação infantil CoComelon.

O YouTube já recorreu a pagamentos para proteger seu catálogo no passado. A empresa ofereceu incentivos a criadores que não publicassem antecipadamente no Vessel, serviço de vídeos lançado em 2015 e encerrado no ano seguinte.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em amarelo e branco: O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com banner e produtos. Ao lado, um ícone de árvore verde-claraMão segurando um smartphone com tela exibindo um aplicativo de notícias e produtos. À esquerda, texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. Fundo verde escuro com ícone de árvore à direita
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Essencial

O mercado não espera — e você também não pode!
Com a Veja Negócios Digital, você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Premium
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 9,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).