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XP oferece privilégios a clientes de escritório vendido para o concorrente

Investidores ligados ao agente autônomo EQI receberam carta oferecendo vantagens exclusivas caso continuem com a corretora

Por Machado da Costa Atualizado em 30 jul 2020, 09h44 - Publicado em 30 jul 2020, 08h00

Clientes do agente autônomo EQI (Eu Quero Investir) receberam nesta quarta-feira, 29, uma carta inusitada da equipe da XP Investimentos. Todos os clientes da EQI terão corretagem zero para ordens na bolsa de valores por seis meses, algo que não é a prática da companhia para quase todos seus 2 milhões de clientes. A estratégia da XP é tentar manter parte dos 40.000 clientes da EQI em sua plataforma, uma vez que o fundador Juliano Custódio vendeu uma participação de seu escritório para o concorrente BTG Pactual. São 8 bilhões de reais em jogo que o fundador da XP, Guilherme Benchimol, não quer perder. Segundo Custódio, já está perdendo. Cerca de 2.000 investidores já migraram para a plataforma concorrente do banco.

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A migração do EQI, o terceiro maior ligado à XP, para o concorrente abalou o mercado há poucas semanas. Desde então, a maior corretora do país tenta mitigar os efeitos sobre os recursos que estão sob sua gestão. As práticas, aparentemente, não estão sendo as melhores. No fim de semana, os clientes da EQI tiveram o acesso à plataforma da XP interrompido, o que ocasionou uma chuva de reclamações contra a corretora. Agora, por meio de uma nova estratégia, menos punitiva, e mais assediadora, a XP oferece a corretagem gratuita.

Carta da XP Investimentos
PROMOÇÃO – Carta da XP: clientes antigos não receberam / XP Investimentos/Divulgação

Clientes antigos, com mais de dez anos de casa, nunca tiveram a regalia oferecida aos clientes do novo inimigo. As taxas de corretagem chegam a 20 reais a depender da operação. Atualmente, a XP possui aplicativos que permitem corretagem zero, mas não possuem o nível de sofisticação oferecido pela equipe da corretora, o que acaba atraindo os investidores com maior volume financeiro.

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A EQI tem até 15 de setembro, quando completam 60 dias do prazo acordado para a conclusão da migração, para deixar completamente a plataforma da XP em direção ao BTG Pactual. Até lá, muita briga deve acontecer. Um outro exemplo de imbróglio surgido nos últimos dias foi a acusação feita por Custódio de que a XP descumpriu o contrato e quebrou o acordo feito para a saída do agente autônomo de sua plataforma. Os motivos seriam as vantagens financeiras oferecidas exclusivamente a clientes da EQI e a violação dos dados desses investidores. Com base nessa acusação, Custódio pretende romper o contrato antes do prazo e migrar antecipadamente para o BTG Pactual, que pagou 200 milhões para absorver suas operações.

DE PARCEIRO A CONCORRENTE – Juliano Custódio, fundador da Eu Quero Investir: 40.000 clientes e 8 bilhões de reais sob gestão / EQI/Divulgação

Na outra ponta, a XP também reclama de descumprimento de contrato por parte da EQI e afirma que uma denúncia com as violações foi encaminhada aos órgãos reguladores. Além disso, exige que o prazo de 60 dias seja cumprido. Até o momento, não há qualquer processo aberto na Comissão de Valores Mobiliários, a CVM, contra Juliano Custódio ou a EQI. São tempos de turbulência, e Benchimol não está trabalhando para acalmá-los. Da mesma forma como entrou em rota de colisão com seu principal acionista, o Itaú, há pouco mais de um mês, agora chama uma atenção negativa para si ao tentar impedir a saída de clientes conquistados por seu antigo agente autônomo, privilegiando-os, em detrimento de seus mais fiéis investidores.

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