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‘Wikirating’, a nova concorrente das agências de classificação de risco

Por Da Redação 31 jan 2012, 05h06

Luis Lidón.

Viena, 31 jan (EFE).- As três grandes agências de classificação de risco que fazem o mundo tremer com suas decisões têm agora um concorrente inesperado: o ‘Wikirating’, uma plataforma de código aberto na qual qualquer usuário pode avaliar um país ou uma empresa.

Assim como o site que lhe serviu de modelo, o Wikipedia, o ‘Wikirating’ baseia todo seu poder na criação coletiva de seus usuários: qualquer um pode dar uma nota de solvência, ou até desenvolver novas metodologias de análise.

‘O ‘Wikirating’ é o primeiro instrumento de qualificação livre, independente e transparente da internet’, declara à Agência Efe um de seus dois fundadores, o matemático austríaco Dorian Credé, de 37 anos.

O projeto sem fins lucrativos está no ar desde outubro passado, mas sua criação começou em maio de 2010, instigada pelo que Credé qualifica como descrédito das agências, que falharam dando a nota máxima a produtos financeiros ‘tóxicos’ e não previram a quebra do banco de investimento Lehmann Brothers em 2008.

‘Então pensei: por que não fazer algo como o Wikipedia que se ocupe desse ‘rating’? Assim seria possível evitar qualquer influência do mundo econômico e político, porque todos poderiam controlar seu funcionamento, que, além disso, seria aberto e transparente’, explica Credé.

Após muitas horas de trabalho ao lado de seu sócio Erwan Salembier, o projeto foi iniciado. Hoje ele conta com cerca de 150 usuários registrados, mas 5 mil internautas já participaram de alguma forma da página, que teve 20 mil visitas.

Credé afirma que o ‘Wikirating’ reforçou o controle sobre os dados que são utilizados para as avaliações, devido à própria complexidade do assunto e para que não haja tentativas de manipulação.

Para o matemático, que trabalha em uma empresa de software, a futura decadência das três grandes agências que controlam 95% do mercado – Standard & Poor’s (S&P), Moody’s e Fitch – é mais do que certa. A pergunta é quanto tempo esse processo demorará.

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‘O poder das agências se deve ao fato dos mercados ainda confiarem nelas, mas cada vez menos. Quando os mercados souberem que há alternativas, elas serão avaliadas. E as que funcionarem melhor serão as que terão mais crédito’, prevê.

Credé não esconde que sua ambição é que o ‘Wikirating’ se transforme em uma alternativa real no futuro, da mesma forma que agora o Wikipedia é uma realidade inquestionável, apesar de muitos terem desconfiado do projeto em seu início.

Até agora existem dois métodos para dar notas, desde a avaliação de honra (‘AAA’) até a moratória (‘D’). Um é uma simples votação e outro se baseia em um modelo matemático com variáveis econômicas clássicas, como a dívida estatal e o crescimento econômico, que depois são ajustadas com outros valores como o Índice de Desenvolvimento Humano da ONU.

Além disso, outros dois métodos mais complexos propostos pelos usuários estão sendo estudados pelos fundadores do ‘Wikirating’, cujo principal problema é a falta de tempo, visto que também se dedicam a seus trabalhos como assalariados.

Mas se um dos métodos é uma votação, não é essa também uma fórmula pouco confiável para qualificar um país?

Um método como o do voto – argumenta Credé – também pode fornecer informações úteis, já que afinal de contas ‘o mercado é formado por pessoas, que em última instância também atuam de forma subjetiva e emocional. Os mercados não reagem sempre de forma racional’.

‘São apenas métodos, não estamos dizendo que sejam os corretos. Todo mundo pode avaliar porque eles funcionam de forma aberta’, o que contrasta com as grandes agências, ‘que não explicam quais são suas fórmulas de cálculo porque são o segredo de seu negócio’, afirma o criador da página.

Outra das surpresas é que com o modelo matemático de análise, chamado Wikirating Sovereign Index (SWI), as notas dos países industrializados são muito piores do que as oferecidas pelas agências clássicas.

No ‘Wikirating’, os Estados Unidos tem a classificação ‘BBB-‘, enquanto a França não só perdeu o triplo A, mas é um bônus lixo (‘BB-‘), da mesma forma que Alemanha (‘BB+’) e a Espanha (‘BB’), o que contrasta com a brilhante nota do Chile (A+). EFE

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