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Welber Barral: um escudo contra a volatilidade do câmbio     

Cenário instável aumenta relevância de uma proteção das empresas para as oscilações do câmbio: o hedge cambial

Por Welber Barral* Atualizado em 5 mar 2021, 17h28 - Publicado em 5 mar 2021, 16h26

Acostumado  trabalhar em um cenário de incertezas, o empresário brasileiro encara em seu dia a dia uma instabilidade que abrange negócios de todos os portes: a volatilidade do câmbio. Como bem sabem os especialistas, fazer previsões  econômicas  é sempre muito difícil, mas no caso do câmbio é tarefa impossível.

No  Brasil, diversos fatores podem guiar a oscilação da moeda norte-americana: preços das commodities, volume de investimento estrangeiro, instabilidade fiscal e da política econômica, perspectivas econômicas internacionais, entre outros.  No quadro atual, impactado pela pandemia do Covid-19, essa incerteza cresceu ainda mais, principalmente no Brasil. À doença se somaram as indefinições no quadro político e econômico do País e às oscilações da economia global, com resultado especialmente negativo: o real foi a moeda que mais se desvalorizou em relação ao dólar em 2020. O recuo chegou a 40%, maior queda em uma lista de 30 países.

As perspectivas de recuperação internacional e a grande liquidez nos mercados financeiros apontam para o viés contrário, de desvalorização do dólar até final do ano. A um cenário internacional oscilante, entretanto, se somam grandes incertezas quanto à situação fiscal do Brasil, a provocar calafrios que se materializam nas oscilações diárias nas cotações, a cada rumor no mercado.

Ao longo de 2020, essa situação causou pesadelos para as empresas que atuam no Brasil, e foi particularmente sentida por aquelas que atuam no comércio exterior. Essas tiveram que lidar com uma realidade caótica, com relevantes variações do câmbio de um dia para o outro. Pior: a instabilidade continua em 2021, como ficou demonstrado na primeira semana de fevereiro.

O resultado é que os empresários se viram diante de tanta volatilidade que, por vezes, o risco de quebrar por conta do câmbio se tornou real. Mais ainda, pareciam estar diante de um beco sem saída, por se sentirem incapazes de agir contra essa realidade, ainda mais porque já são obrigados a conviver com  a instabilidade diretamente influenciada por fatores internos (como inflação e política fiscal) e externos (política monetária alheia, planos de recuperação econômica, preços de commodities etc.).

Este cenário aumentou a relevância de uma ferramenta relativamente simples, que protege as empresas das oscilações do câmbio: trata-se do hedge cambial, operação que permite fixar a cotação da moeda em uma data futura e que, assim, funciona como uma cobertura que dá segurança a empresas de todos os portes em relação à volatilidade cambial que tanto assusta.

Na prática do mercado financeiro, há usualmente três alternativas de hedge cambial. O mais utilizado é o travamento de câmbio, operação pela qual se estabelece a cotação da moeda na data em que considerar mais adequada.  As outras duas opções são: o NDF,  ou contrato a termo de moedas negociado no mercado de balcão;  e o contrato  de dólar futuro, mais destinado a grandes investidores, em que se compram ou se vendem contratos  acreditando em altas ou em baixas,  com vencimento em data futura definida.

Para detalhar a operação de hedge cambial mais utilizada, o travamento é de fácil acesso e custo reduzido.  Permite  que o empresário estabeleça a cotação da moeda  em uma  data estabelecida, e para ter acesso basta entrar em contato com as instituições financeiras que oferecem essa alternativa, como o  Banco Ourinvest.  A partir da aprovação do cadastro, já se pode fazer o travamento cambial.

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As operações de hedge atualmente são bastante acessíveis, embora ainda haja alguma percepção equivocada em relação a seu custo. Ao contrário do que acontecia no passado, a diferença entre a taxa de juros no Brasil e no mercado externo é  reduzida.  Esse ponto é importante, já que  a diferença entre os juros  internos e do exterior (Libor) é o principal fator para definir o custo da operação.

Graças à atual realidade  de juros baixos no Brasil, o custo do travamento fica hoje em dia entre 2% e 3% ao ano. Assim, para uma transação de US$ 100 mil,  o desembolso  ficaria entre US$ 2 mil e US$ 3 mil. Para comparar, recorde-se que o seguro de um carro, por exemplo,  custa em média entre 5% e 10% do valor do veículo ao ano.   E o hedge pode ser compreendido como uma cobertura a evitar o risco da volatilidade.

Feitas as contas, o empresário pagará pouco para ter uma proteção que lhe permitirá proteção contra a imprevisível oscilação do câmbio que pode trazer sérios problemas de caixa e, em casos extremos, levar a enorme risco financeiro para a empresa.

Tome-se o exemplo da situação atual.  Nestes primeiros meses de 2021, o mercado,  via Boletim Focus,  prevê que o dólar tem viés de baixa para o fechamento do ano. É possível que a estimativa se confirme, mas não se pode esquecer que a volatilidade é uma das principais características do câmbio  e que ela pode acontecer de um dia para o outro.

Mas não é só quem trabalha com comércio exterior que se beneficia com o travamento cambial. Pensemos em um moinho de trigo, que compra o produto no mercado interno com valor atrelado ao dólar. O moinho tem um insumo essencial que tem grande peso na composição do preço final e que é cotado em moeda estrangeira. Para se proteger, ele pode fazer o travamento cambial, que lhe permite operar com uma cotação definida, sem os graves contratempos que a variação da moeda certamente traria aos seus negócios.

Casos como esse se reproduzem por toda a economia e são um fator adicional de indecisão para empresários que já têm que lidar com muitas outras incertezas. Com o travamento cambial, ele se livra de um problema que tem solução de comprovada eficiência. É uma defesa contra oscilações, custa relativamente pouco, é simples e de fácil acesso e evita as inúmeras armadilhas que a volatilidade cambial pode trazer. Num país como o Brasil e numa economia global em ebulição, onde a incerteza é regra, esse alívio é mais que importante – torna-se um escudo  fundamental para quem pensa na sustentabilidade de seus negócios.

* Welber Barral é estrategista de Comércio Exterior do Banco Ourinvest. Doutor em Direito Internacional (USP)

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