Violência custa R$ 31 bilhões por ano à economia do Rio, diz Firjan
Federação afirma que fraudes digitais e extorsões avançam em todo o estado, enquanto crimes tradicionais recuam
A violência gera um custo adicional de R$ 31,1 bilhões por ano para a economia do Estado do Rio de Janeiro, segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira, 5, pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).
O valor inclui os efeitos da insegurança sobre a atividade econômica e reforça o impacto do avanço de crimes que afetam diretamente empresas, consumidores e cadeias produtivas.
O estudo, que analisa dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) entre 2015 e 2025, mostra uma mudança no perfil da criminalidade fluminense.
Enquanto roubos de rua, de carga e de veículos recuaram ao longo da última década, os crimes ligados à economia digital e à atuação do crime organizado avançaram em praticamente todas as regiões do estado.
O estelionato foi o delito que mais cresceu no período. Em 2025, foram registrados 146.981 casos, alta de 313% em relação a 2015. A expansão ocorreu em todas as regiões fluminenses, com destaque para o Centro-Sul, onde as ocorrências aumentaram 767%, o Centro-Norte (615%) e a Região Serrana (497%).
A extorsão também apresentou crescimento disseminado. O número de registros passou para 3.646 no ano passado, 80% acima do observado dez anos antes. As maiores altas ocorreram no Centro-Sul, Norte e Noroeste do estado.
Para a Firjan, a mudança no perfil dos crimes exige uma revisão das políticas públicas de segurança. Segundo a entidade, o avanço das fraudes digitais, da extorsão e da economia do crime afeta a competitividade das empresas, eleva custos operacionais e reduz a atratividade do estado para novos investimentos.
“O olhar apenas para os indicadores consolidados do estado pode fazer com que as medidas de segurança não combatam os crimes que efetivamente prejudicam o desenvolvimento econômico de cada região”, afirmou o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano.
Apesar da migração para modalidades de crime menos visíveis, os delitos patrimoniais continuam em patamar elevado. Em 2025, o estado registrou 102.703 ocorrências de roubo de rua, roubo e furto de veículos e roubo de carga — média de 281 casos por dia.
O levantamento também mostra que, entre 2015 e 2025, 56.838 pessoas morreram no estado em decorrência de homicídios dolosos, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e intervenções policiais. O número supera a população de mais da metade dos municípios fluminenses.
Diante desse cenário, a Firjan defende a adoção de políticas de segurança regionalizadas, com maior integração entre poder público, setor produtivo e sociedade civil. A entidade também propõe reforço na investigação de fraudes digitais, combate às finanças do crime organizado e ampliação da transparência dos dados públicos de segurança.







