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Venezuela: falta papel higiênico, mas salário mínimo sobe 10%

Remuneração saltou para 519 dólares enquanto a inflação subiu 56% em 2013 - mais que o dobro de 2012

Por Da Redação 7 jan 2014, 15h50

O presidente da Venezuela Nicolás Maduro anunciou na noite de segunda-feira um aumento de 10% nos benefícios previdenciários e no salário mínimo. Em discurso às redes de rádio e televisão, ele disse que o aumento tem como objetivo “proteger a classe trabalhadora, que é a primeira vítima da inflação”. A medida do governo elevou o salário mínimo para 3.270 bolívares, ou 519 dólares (1.230 reais) pela taxa de conversão oficial.

A medida, contudo, pode agravar os desequilíbrios econômicos que dilaceram o país. A inflação de 2013 fechou em 56%, a mais alta do continente americano e mais do que o dobro da taxa registrada no país no ano anterior. “Este é um mau sinal”, disse Angel Garcia Banchs, diretor da consultoria Econometrica, de Caracas. “Isso significa que as pessoas terão mais bolívares em seus bolsos, que não serão convertidos em mais bens e serviços na economia.”

O aumento do mínimo ocorre num momento em que o país enfrenta falta de bens que vão de carros a produtos básicos, como papel higiênico. O índice de escassez do banco central do país, que mede o porcentual de bens que faltam nas prateleiras do comércio, subiu para 22,4% em outubro, o mais alto em quatro anos. Os dados de outubro são os últimos disponíveis. O indicador mostrou piora em razão dos absurdos controles de preços impostos pelo governo e que penalizam a produção. Além disso, a falta de capital para as empresas locais investirem é agravada com a impossibilidade de acesso ao dólar.

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‘Culpa’ do setor privado – Maduro costuma responsabilizar a ganância do setor privado como responsável pelos problemas do país. Segundo ele, as empresas ‘trabalham’ para elevar a inflação e desestabilizar o regime. O presidente não diz, contudo, que a alta da inflação é provocada pelos altos gastos do governo nos últimos anos – despesas cuja transparência é duvidosa.

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Analistas de Wall Street dizem esperar a desvalorização do bolívar por Maduro nos próximos meses, já que a medida ajudaria o Estado a ganhar mais em moeda local quando converter os dólares da venda de petróleo. O presidente também já considerou a ideia de aumentar os preços da gasolina pela primeira vez em 16 anos para tentar recuperar a arrecadação.

As duas medidas podem representar pressão inflacionária. Por isso, o governo terá também de cortar seus gastos para conter os preços ao consumidor.

A Venezuela gasta 12,5 bilhões de dólares por ano com subsídios domésticos aos combustíveis, o que permite aos habitantes do país encher os tanques de seus carros com muito pouco dinheiro. O petróleo corresponde a 95% das exportações venezuelanas.

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No ano passado, o presidente venezuelano chegou a obrigar que pelo menos três redes de eletrodomésticos do país reduzissem os preços de seus produtos. Segundo o presidente, os valores dos produtos haviam sido elevados irregularmente.

(com Estadão Conteúdo)

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