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Venezuela desvaloriza moeda para incentivar exportações

Governo venezuelano alega que mexeu na cotação do bolívar para estancar os focos inflacionários que a economia estava apresentando

Por Da Redação 9 fev 2013, 21h01

O chanceler da Venezuela, Elías Jaua, afirmou neste sábado que a decisão do Governo de desvalorizar o bolívar em 32% frente ao dólar responde a uma política de incentivar as exportações e a atividade produtiva em um momento no qual está se integrando ao Mercado Comum do Sul (Mercosul).

Esta política ‘tem a ver certamente com uma política de estímulo às exportações especialmente de cara ao desafio que significa para a Venezuela e para seu setor produtivo o ingresso no Mercosul’, indicou Jaua em entrevista coletiva após uma reunião com seu colega brasileiro, Antonio Patriota.

O Governo venezuelano desvalorizou a moeda frente ao dólar, que passou de 4,3 a 6,3 bolívares, perante os focos inflacionários que a economia estava apresentando, muito dependente das importações.

‘Estes tipos de ações, como o ajuste cambial, não são medidas isoladas, mas estão inscritas dentro de um marco de promoção da política de exportação’, assinalou Jaua.

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Nesse sentido, Jaua indicou que o novo valor do dólar com relação ao bolívar se transforma em um estímulo tanto para a política de produção nacional como de exportação.

Além disso, ressaltou que é ‘uma forma de proteger os dólares do povo venezuelano (…) frente aos ataques especulativos dos setores financeiros monopólicos da oligarquia nacional’.

Jaua, nomeado no mês passado, indicou que ‘o desafio mais importante de exportação’ para a Venezuela está no Mercosul.

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No entanto, o chanceler afirmou que ‘além do Mercosul’, a Venezuela tem ‘caminhos importantes em matéria de troca comercial’ com o Caribe e América Central, além disso da Rússia, China e o Irã.

Inflação- A desvalorização da moeda oficial venezuelana, o bolívar, melhorará as contas do Estado, mas terá um impacto negativo na inflação do país, que foi de 20,1% em 2012, a mais alta da região, consideraram analistas.

“O grande vencedor acaba sendo o Estado, o ajuste cambial permitirá reduzir o valor em divisas da dívida interna do Governo Central de 42,922 bilhões de dólares a 29,295 bilhões de dólares”, disse em um comunicado, a empresa Ecoanalítica.

Assim, o Estado contará com mais bolívares do que os que recebe pelas vendas de petróleo, responsáveis por 96% das divisas da Venezuela.

Os analistas alertavam o quanto a medida era urgente para atender os desequilíbrios das contas públicas: déficit fiscal de 16% do PIB e dívida pública acima dos 150 bilhões de dólares (cerca de 50% do PIB), segundo cifras da Ecoanalítica.

“Melhora as contas fiscais; as receitas do petróleo agora recebem um impacto favorável em termos de bolívares”, disse o economista Orlando Ochoa, professor da Universidade Católica Andrés Bello.

Segundo especialistas, o efeito da desvalorização da moeda local provocará uma alta dos preços no país sul-americano, que depende enormemente das importações e que já registra a inflação mais alta da América Latina.

“Teremos um impacto inflacionário, todos os produtos regulados e da dieta básica têm componentes importados e sofrerão ajustes de preços”, disse Ochoa.

“Por isso vemos a desvalorização como uma medida de confisco”, disse o diretor da Ecoanalítica, Asdrúbal Oliveros, que prevê como consequência uma queda de 8% do poder aquisitivo dos venezuelanos.

(com EFE e AFP)

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