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Venda de veículo básico importado cai até 80% em julho

A coreana Kia e as chinesas JAC Motors e Chery amargam quedas nas vendas de seus modelos mais baratos no país

A alta de 30 pontos porcentuais na alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os veículos importados, anunciada pelo governo em abril, provocou uma queda drástica, superior a 80%, nas vendas dos modelos mais baratos que concorrem com os nacionais em julho em comparação com o mesmo mês de 2011. No mesmo período, o recuo nas vendas totais de veículos importados foi de 41%.

É o caso dos modelos Soul e Cerato, líderes de vendas da coreana Kia Motors no Brasil. Em julho do ano passado, sem o aumento da alíquota do IPI, com o preço do Cerato abaixo de 50 mil reais no mercado nacional, a companhia comercializou 1.994 unidades. No mês passado, já com o preço em torno de 53 mil reais e com os concorrentes nacionais pagando um IPI menor desde maio, foram vendidos apenas 695 unidades, queda de 65,4%. Para o Soul, a queda foi de 81,6%, de 1.332 para 245 unidades, no mesmo período. Os dois modelos perderam a liderança para o Kia Sportage, cujas vendas cresceram 6,7%, para 1.009 unidades.

“A mudança no IPI para os importados trouxe um impacto avassalador nas empresas e, no caso dos modelos mais básicos, a dificuldade foi ainda maior, porque existem outros modelos equiparados no Brasil”, disse Flávio Padovan, presidente da Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores (Abeiva). Além da coreana Kia, as chinesas JAC Motors e Chery também amargam quedas nas vendas de seus modelos mais populares no país.

Com uma campanha de marketing capitaneada pelo apresentador de televisão Fausto Silva, o J3, modelo de entrada na JAC Motors no Brasil foi comprado por 1.553 consumidores, em julho do ano passado. Em julho deste ano, apenas 654 veículos do modelo foram comercializados, queda de 57,9%. “Para reduzir custos, cortamos para praticamente zero o orçamento de publicidade, que foi de 120 milhões de reais no ano passado”, disse Eduardo Pincigher, diretor de comunicação da JAC Motors.

Recentemente, a companhia comunicou o adiamento do projeto de 900 milhões de reais de construção da primeira fábrica no país, na Bahia. A JAC Motors alegou que a alta do IPI impediu o crescimento da rede de concessionárias no país e motivou a decisão pela suspensão nos investimentos na produção.

Por outro lado, a também chinesa Chery considera irreversível o investimento de 400 milhões de reais na construção de sua unidade fabril em Jacareí (SP), segundo o presidente da marca no país, Luís Curi. A montadora, no entanto, espera que os chamados de “novos entrantes” – que, como a Chery, ainda importam automóveis, mas que passarão a produzi-los no Brasil – sejam contemplados com a regulamentação do novo regime automotivo, prevista para até setembro.

Pela regulamentação, o IPI recolhido dos carros importados por essas companhias gerará um crédito tributário a ser abatido do imposto futuro incidente sobre o modelo nacional da montadora. Enquanto aguarda uma decisão do governo, as vendas da Chery também despencam. Modelo mais vendido da montadora, o QQ teve 599 unidades comercializadas em julho, queda de 53% sobre os 1.273 comercializados em igual mês de 2011.

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Luxo – Enquanto os mais “populares” sofrem baixas nas vendas, os modelos importados mais caros, como os luxuosos das alemãs BMW, Audi e Porsche, ou das italianas Ferrari e Lamborghini, seguem estáveis, com consumidores cativos. “Um aumento de 10% no preço desses veículos não afeta muito as vendas, ao contrário dos carros mais baratos, pois o perfil do consumidor é diferente”, disse o consultor André Beer.

Para ele, é preciso haver “um consenso no mercado”, com regras mais claras para as companhias. “O mercado está bem complicado; de um lado aumenta o IPI (para os veículos importados) e do outro cai (para os nacionais). Isso tem de ser acertado”, concluiu.