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Venda de imóveis novos sobe 86,2% em São Paulo

Dado divulgado nesta quarta pelo Secovi-SP mostrou recuperação do setor em agosto após a queda de 0,9% em julho

O número de imóveis residenciais novos vendidos na cidade de São Paulo subiu 86,2% em agosto, para 3.464 unidades, no melhor resultado para o mês dos últimos quatro anos, informou o sindicato da habitação paulista, Secovi, nesta quarta-feira.

No acumulado dos oito primeiros meses do ano, o avanço foi de 45,8% em relação ao mesmo período de 2012, para 22.638 unidades. O expressivo avanço veio após a queda de 0,9% em julho, também na comparação anual, e foi atribuído pelo presidente do Secovi-SP à ampliação do acesso ao crédito, à elevação da renda média e à queda do desemprego em agosto.

Em nota, o presidente do Secovi-SP, Claudio Bernardes, também mencionou os “lançamentos de produtos que atendem à demanda por novas moradias e com valores que cabem no bolso do consumidor”. Segundo o Secovi-SP, os números refletem a superação pelas empresas do “momento de ajuste detectado nos últimos dois anos”.

FGTS – O mercado especula agora se o aumento do limite de financiamento da casa própria com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), anunciado na segunda-feira, pode elevar os preços dos imóveis. O governo anunciou no início da semana o aumento do teto do preço do imóvel financiado pelo FGTS de 500 mil reais para 750 mil reais nos estados de São Paulo, do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e no Distrito Federal. Nos demais estados, o teto passará de 500.000 para 650.000 reais, conforme decisão tomada em reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN).

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Preço do imóvel pronto sobe o dobro da inflação

“Isoladamente, o efeito potencial dessa medida é estimular a demanda e pressionar preços”, diz o coordenador do índice FipeZap de preços de imóveis anunciados na internet, Eduardo Zylberstajn. Ele frisa, no entanto, que esse efeito é potencial, uma vez que não é apenas a maior oferta de crédito que influencia a compra do imóvel, mas pesam outros fatores.

Nesse rol, o economista aponta a renda e o emprego, que já não têm o mesmo vigor do passado recente. Além disso, segundo Zylberstajn, há oferta maior de imóveis. Esses fatores podem atenuar o impacto positivo do aumento da disponibilidade de crédito nos imóveis.

Já na avaliação do presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Octavio de Lazari Junior, a possibilidade de aumento nos preços “tende a zero”. “Já temos um mercado com certa oferta, estoques de imóveis”, afirma. A projeção da Abecip é que o crédito cresça 20% neste ano, bem acima dos 3% do ano passado. “Este ano desaguou o que estava represado. O desembolso do crédito imobiliário deve ultrapassar 1 bilhão de reais”, afirma Lazari Junior.

Bernardes só vê possibilidade de alta de preços em locais com oferta muito baixa de imóveis acima de 500 mil reais. “Mas isso não vai correr de forma geral”. Até porque, segundo ele, 42% dos imóveis lançados nos últimos doze meses já tinham preço acima de 500 mil reais. Ele também acredita que as mudanças no perfil dos lançamentos dos imóveis compatíveis com a nova regra só deve ter efeito no ano que vem. “Os novos lançamentos podem tentar se adaptar a esse tipo de produto, e aí não é uma questão de preço dos imóveis. Mas um produto adaptável com as regras de financiamento.”

(com agência Reuters e Estadão Conteúdo)