Varejo lidera corrida por crédito nos FIDCs
Fundos analisaram 640 varejistas até setembro; split payment pode aumentar demanda por capital de giro
O varejo virou o principal alvo dos FIDCs em 2026. Levantamento da Assertiva mostra que 640 varejistas passaram pela análise de fundos de direitos creditórios entre janeiro e setembro, mais do que qualquer outra atividade econômica pesquisada.
Na sequência aparecem o comércio atacadista, com 347 empresas, e o setor de confecção e vestuário, com 328. Ao todo, 36 FIDCs fizeram 4.045 consultas sobre 3.543 CNPJs no período.
A explicação está, em boa parte, no caixa. Varejistas precisam pagar fornecedores e formar estoques antes de receber integralmente pelas vendas, especialmente nas operações parceladas. É justamente esse descasamento que abre espaço para antecipação de recebíveis e outras modalidades de crédito estruturado.
A reforma tributária pode tornar essa conta ainda mais relevante. Com o split payment, IBS e CBS serão separados na liquidação da venda, reduzindo a parcela do dinheiro que efetivamente passa pelo caixa da empresa. A expectativa no mercado é de que isso aumente a importância do financiamento de capital de giro no setor, embora esse efeito ainda não tenha sido medido pelo levantamento.
E não se trata apenas de empresas em aperto. Entre todos os CNPJs analisados, 68,9% não tinham sinais de restrição e 60,9% existiam havia mais de dez anos. Na média, as companhias tinham 17,6 anos de atividade e faturamento presumido de 44,3 milhões de reais.







