Varejo engata terceira alta seguida, mas crédito caro ainda freia consumo
Vendas cresceram 7% em um ano e avançaram em 25 estados; segmentos mais dependentes de financiamento ainda sentem peso dos juros
O varejo brasileiro completou em agosto o terceiro mês consecutivo de crescimento, num sinal de que o consumo segue resistente apesar dos juros elevados. As vendas avançaram 0,5% em relação a julho e ficaram 7% acima do nível registrado no mesmo mês do ano passado, segundo o Índice do Varejo Stone (IVS).
A melhora foi disseminada pelo país. Dos 27 estados, 25 registraram crescimento na comparação anual. O Amazonas liderou, com alta de 21,8%, seguido por Acre, com 12,8%, e Tocantins, com 11,4%. São Paulo avançou 6,7%. Apenas Espírito Santo e Rio Grande do Sul ficaram no campo negativo, com quedas de 0,4% e 1,6%, respectivamente.
Entre os setores, sete dos oito acompanhados pelo levantamento cresceram em relação a agosto de 2025. Combustíveis e lubrificantes tiveram a maior alta, de 15,2%, seguidos por supermercados e alimentos, com 8,5%, e material de construção, com 7,8%. Vestuário e calçados foram a única exceção, com retração de 3,5%.
Apesar da sequência positiva, a Stone identifica perda gradual de ritmo na comparação mensal. Segundo Guilherme Freitas, economista e pesquisador da companhia, o mercado de trabalho ainda sustenta a renda e o consumo, mas o custo elevado do crédito e o endividamento das famílias limitam a demanda, sobretudo nas compras mais dependentes de financiamento.
O comportamento regional reforça essa recuperação desigual. O Norte cresceu 10,4% em um ano, acima de Nordeste e Centro-Oeste, com 5,1% cada, Sudeste, com 4%, e Sul, com 2,3%. O IVS é calculado a partir de transações com cartões, vouchers e Pix processadas dentro do grupo StoneCo.







