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Vale reavalia venda de ativos para ficar com gás

MOJU, Pará, 26 Jun (Reuters) – A Vale decidiu remodelar a venda de ativos de hidrocarbonetos de maneira a manter áreas de gás natural com vistas às suas necessidades de consumo de energia, afirmou nesta terça-feira a diretora de Sustentabilidade da mineradora, Vânia Somavilla.

Em linha com a estratégia de desinvestimentos de ativos que fogem a seus projetos principais, a mineradora informou no começo deste ano que pretendia se desfazer de participações de blocos de petróleo e gás, alegando que os investimentos necessários ao desenvolvimento das áreas seria muito elevado.

Desde então, a perspectiva do mercado era de que a venda desses ativos fosse acontecer de forma casada, o que parece ter ficado para trás nos planos da empresa.

“Os projetos de exploração de petróleo são intensivos em capital; nosso foco é em gás… Estamos revisitando justamente isso de forma que permaneça a nossa estratégia de manter investimentos na área de gás”, afirmou a diretora, minutos antes da inauguração da primeira usina de produção de óleo de palma da Vale, no município de Moju, no Pará.

Na ocasião, o presidente da Vale, Murilo Ferreira, disse que a companhia contratou dois bancos para auxiliar a Vale no destino de suas participações em blocos de petróleo e gás. A companhia possui 19 áreas, dos quais 14 já foram perfuradas e apresentaram cinco descobertas nas bacias de Santos e Espírito Santo.

“Temos em mente que nosso foco é minério de ferro, níquel, cobre, carvão e fertilizantes”, afirmou Ferreira, justificando a estratégia de vender ativos.

Mas a diretora destacou que a companhia precisa de gás para produção da energia usada em suas operações.

Dessa forma, a venda de ativos de hidrocarbonetos poderá se limitar a petróleo, acrescentou Vânia.

A companhia informou em maio que bancos de investimentos contataram a empresa dizendo que tinham interessados para os ativos de petróleo.

ARGENTINA

O diretor global de Energia da Vale, João Coral, disse durante o mesmo evento que as preocupações sobre o projeto Rio Colorado, na Argentina, que foi colocado sob revisão, passam por uma parceria com a YPF, nacionalizada pelo governo do país.

“A gente está um pouco preocupado com essa questão da estatização da YPF, mas com todo trabalho que a gente tem visto, pelo empenho do governo local, as operações continuam normais, a gente está muito confiante”, disse o diretor.

Em seguida, o executivo amenizou: “Não temos problema nenhum, problema zero, os compromissos estão sendo cumpridos à risca”.

A parceria da Vale com a YPF deverá sustentar o fornecimento de gás para a produção de energia para Rio Colorado.

Segundo Coral, a Vale pretende delimitar até o final do ano reservas de gás na Argentina em projeto em parceria com a YPF.

No início de junho, a Vale informou estar confiante de que vai superar os obstáculos que levaram a empresa a reavaliar o projeto Rio Colorado, um empreendimento de potássio de quase 6 bilhões de dólares já em andamento na Argentina.

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A diretora de Sustentabilidade da Vale frisou a necessidade da Vale de investir em fontes de energia renováveis, a exemplo do projeto de biodiesel que está sendo erguido a partir de óleo de palma no Pará, um empreendimento de 500 milhões de dólares que a companhia está construindo em área degradada da floresta amazônica.

Com o projeto implantado no Pará com previsão de transformar o óleo de palma em biodiesel em 2015, a empresa vai substituir parte do diesel que consome pelo biocombustível.

Mas a executiva disse que outras fontes deverão ser acrescentadas, além de fontes consideradas mais limpas, como o gás, que não polui tanto como o diesel e o óleo combustível – a Vale informou consome 3 por cento de todo o óleo diesel demandado no país.

Como parte dos investimentos em energia renovável, a Vale e a australiana Pacific Hydro anunciaram na semana passada a formação de uma joint venture em energia eólica e deverão investir 650 milhões de reais em dois parques no Rio Grande do Norte.

“Gás é um combustível de transição, ninguém consegue passar direto para energia renovável de uma hora para outra”, afirmou.

A maior produtora de minério de ferro do mundo já produz 30 por cento de toda a energia que precisa para tocar seus projetos em todo o mundo.

No Brasil, onde possui participação em nove hidrelétricas, incluindo projetos, a Vale gera 50 por cento da energia que demanda.

(Reportagem de Sabrina Lorenzi)