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Vale manterá supernavios depois de incidente

O navio Vale Beijing apresentou rachaduras na sua primeira viagem

A Vale não pretende abandonar seus planos de operar com supercargueiros de 400 mil toneladas após o incidente com o navio Vale Beijing, que apresentou rachaduras no casco durante carregamento no Maranhão. “Não vamos parar com os navios de 400 mil toneladas”, afirmou nesta quarta-feira, em Londres, o diretor executivo de Minério de Ferro e Estratégia, José Carlos Martins. “Construímos os navios para sermos mais eficientes, mais competitivos, e para operar de maneira mais sustentável”, acrescentou.

Em sua primeira viagem após ser entregue pelo estaleiro sul-coreano STX Pan Ocean, o navio Vale Beijing apresentou rachaduras nos dois lados do casco. A mineradora informou que ainda busca entender o que ocorreu no Maranhão. A embarcação iria carregar aproximadamente 380 mil toneladas de minério de ferro, mas a operação foi interrompida quando a carga chegou a 260 mil toneladas. O Vale Beijing foi removido para outro local no porto de Ponta da Madeira, em São Luís, para avaliação e eventual reparo.

Martins disse ser cedo para avaliar se poderá haver uma revisão nos contratos com os construtores da frota de supercargueiros, mas que, no momento, não há intenção de realizar qualquer mudança. “Temos um acordo com os estaleiros e eles têm prazos para entregar os navios. Se as embarcações passarem nas inspeções, irão navegar. Não vamos mudar, vamos manter o plano”, disse.

Portos chineses – Martins também comentou o problema do acesso dos supercargueiros aos portos da China, o maior importador mundial de minério de ferro e o principal cliente da mineradora brasileira. Durante a coletiva de imprensa, jornalistas questionaram Martins se estaria ocorrendo uma proibição, por parte das autoridades chinesas, da entrada dos navios nos portos do país. Há informações de que armadores chineses estariam reclamando de prejuízos decorrentes da entrada dos supercargueiros da Vale.

“É difícil especular o que está acontecendo”, afirmou o executivo. “O maior problema é o excesso de capacidade que foi construído (no mercado de navios). Não somos quem construiu esse excesso de capacidade. Só queremos navios mais competitivos.” Martins afirmou que a companhia está conversando com autoridades chinesas sobre o que está emperrando a entrada dos supercargueiros no país. No entanto, o empresário afirmou que vai levar tempo até que essas embarcações possam atracar em portos chineses, e que a companhia está avaliando alternativas para operar com a frota de supernavios.

“Há um porto em construção na Malásia que poderia receber toda a frota da Vale”, disse Martins, indicando que seria a forma de utilizar os grandes cargueiros para o fim planejado: o de reduzir custos no transporte de minério para a Ásia. Da Malásia, a empresa poderia utilizar outras embarcações para levar o minério aos países da região.

(Com Reuters)