Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Vale lidera perdas da Bovespa, que recua mais de 2%

Ações ordinárias da mineradora terminaram em baixa de 7,5% após o rompimento de duas barragens de rejeitos da mineradora Samarco, da qual ela tem 50% de participação

A Bovespa encerrou a sexta-feira em baixa, pressionada pelo desempenho das ações da Vale, que despencaram depois do rompimento, em Minas Gerais, de duas barragens de rejeitos da mineradora Samarco, união operacional (joint venture) da brasileira com a australiana BHP. O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, recuou 2,35%, para 46.918 pontos.

As ações preferenciais (sem direito a voto) da Vale caíram 5,7% e as ordinárias, 7,55%. O mercado passou o dia avaliando os efeitos do rompimento das barragens da Samarco, que paralisou a unidade da empresa em Mariana (MG) e deixou ao menos dois mortos e treze desaparecidos. Os investidores questionavam quando as operações retornarão à normalidade e os impactos do incidente. O Citigroup disse que a operação representa 3% do valor presente líquido da Vale, “porém não está claro quais serão os custos de limpeza e de indenizações”.

Também pesou para a queda da Bovespa a renovada percepção do mercado de que há forte tendência de alta dos juros nos Estados Unidos em dezembro. Na semana, o Ibovespa subiu 2,29%.

No exterior, o evento do dia foi a divulgação do relatório de emprego dos EUA, que mostrou abertura de 271.000 postos de trabalho fora do setor agrícola em outubro. A expectativa era de 180.000 vagas, segundo pesquisa da agência Reuters. Esse dado foi o responsável pelo aumento das apostas de elevação dos juros americanos no próximo mês.

O dado forte seguiu-se à declaração da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, de que o banco central americano pode começar a elevar os juros em dezembro se novas informações sustentarem a expectativa. Em reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) na semana passada, o Fed já havia sinalizado de maneira mais forte que pode elevar os juros no mês que vem, o que reduz a atratividade de ativos de mercados emergentes, como os brasileiros.

“O mercado demorou um pouco para interpretar a alteração de discurso do Fed. Agora as apostas ficaram maiores de uma alta em dezembro”, disse o analista Raphael Figueredo, da Clear Corretora. “Esse dado bem acima do esperado acaba corroborando a ideia de que haverá reflexo na renda das famílias, o que aumenta a pressão inflacionária e puxa os juros para cima.”

Leia mais:

Volume de saques da poupança até outubro é o mais alto desde 1995

Vale diz ‘lamentar profundamente’ rompimento de barragens em MG

Dólar – O dólar terminou em baixa de 0,37%, a 3,76 reais na venda, após atingir 3,84 reais na máxima da sessão. Na semana, a cotação da moeda acumulou queda de 2,60%, em sua segunda semana seguida de declínio. Nas últimas semanas, o mercado brasileiro de câmbio vem mostrando poucos negócios, com investidores evitando grandes operações devido às incertezas políticas e econômicas locais. Por isso, operações pequenas tendem a ter impacto maior sobre as cotações.

(Com agência Reuters)