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Uma ponte para o mundo: São Luís transforma vocação logística em liderança no Nordeste

Cidade é capital brasileira mais próxima da Europa e dos Estados Unidos, um trunfo que ajuda a sustentar seu crescimento e bons indicadores sociais

Por Giuliana Bergamo 31 jul 2026, 05h30
Uma ponte para o mundo: São Luís transforma vocação logística em liderança no Nordeste Priorizar nos meus resultados Google

Única capital brasileira fundada por franceses, São Luís do Maranhão coleciona outras tantas peculiaridades como o maior IDH, o Índice de Desenvolvimento Humano, e a menor taxa de crimes violentos entre as capitais nordestinas. Tais fatores contribuíram para que despontasse como a campeã geral da Região Nordeste no ranking As Melhores Cidades do Brasil de VEJA NEGÓCIOS. Situada em uma ilha, a Upaon-Açu, São Luís divide o território com outros três municípios: São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa. Trata-se de uma posição geográfica privilegiada, que funciona como ponte natural entre as regiões Norte e Nordeste.

Mas existe uma outra característica geográfica fundamental para a dinâmica da capital maranhense. Seu litoral é mais próximo da Europa e dos Estados Unidos do que outros trechos da costa brasileira, o que por si só já faz dela um ponto estratégico para importações e exportações. As vantagens vão além: o Porto do Itaqui é consideravelmente profundo, o que permite que gigantescos navios cargueiros atraquem com facilidade, transformando o terminal em um canal escoador essencial para o minério de ferro e para a produção de grãos do centro e do norte do país. Convergem para lá os minerais extraídos da Serra dos Carajás, no Pará, e os produtos agrícolas provenientes de Matopiba, região que abrange áreas de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, e que é uma das maiores na produção brasileira de grãos. Esse dinamismo econômico levou o Porto do Itaqui a bater seu recorde mensal em agosto de 2025, ao movimentar 3,85 milhões de toneladas de cargas.

A vocação logística da cidade ajudou a consolidar um mercado interno robusto, em que os setores de comércio, serviços e infraestrutura de transporte ditam o ritmo do crescimento. “O porto tem uma importância enorme também por tudo o que estimula indiretamente”, diz Antônio Gaspar, presidente da Associação Comercial do Maranhão. “Estamos falando de negócios que vão de empresas de logística até serviços de hospedagem para quem trabalha ali.” Não à toa, grandes empresas estão instaladas na cidade. É o caso da concessionária de energia Equatorial, que abastece os estados de Goiás, Pará, Piauí, Alagoas, Rio Grande do Sul e Amapá, além do Maranhão. Em São Luís, está também a sede de um dos gigantes do varejo nacional, o Grupo Mateus, que conta com quase três centenas de lojas divididas entre atacarejos, supermercados e conveniências. Com um faturamento anual de 31 bilhões de reais, a rede é a terceira maior no ranking da Associação Brasileira de Supermercados. Outros pesos-pe­sados do capitalismo brasileiro presentes na capital maranhense são a Vale, a Bunge e a Suzano.

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Segundo a Secretaria Municipal da Fazenda, São Luís conta com 105 638 empresas cadastradas, que atuam em diversos segmentos. Entre os setores de maior destaque na arrecadação de tributos estão os de saúde, construção civil, serviços portuários, apoio técnico e terceirização de mão de obra, que figuram entre os cinco maiores arrecadadores do município. “Há uma coexistência entre o tradicional e o moderno no ecossistema empreendedor da cidade”, diz Cursino Moreira, analista do Sebrae Maranhão. Essa diversidade econômica inclui ainda o turismo. O centro histórico, que abriga mais de 5 000 edifícios, incluindo igrejas barrocas e casarões, foi declarado patrimônio mundial pela Unesco. A arquitetura traz marcas da colonização portuguesa, iniciada três anos após a sua fundação, em 1612, e da invasão holandesa, ainda no século XVII. É essa vocação para acomodar diversas influências que faz de São Luís uma cidade conectada com o mundo.

Publicado em VEJA, julho de 2026, edição VEJA Negócios nº 28

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