Uma mistura de sucesso: A aposta da Três Corações para ir além do mercado de café
TOP30: Estratégia com inovação, aquisições e eficiência operacional garantiu à empresa o prêmio de melhor companhia no setor de Alimentação
Em um ambiente cada vez mais competitivo e assombrado pelo protecionismo dos Estados Unidos, que pressiona as cotações internacionais do café, combinar inovação, eficiência operacional e diversificação do portfólio tem se tornado crucial para as empresas do setor. É justamente essa união de estratégias, sustentada por investimentos contínuos e pela expansão de novas áreas de negócios, que explica o bom desempenho da Três Corações nos últimos anos. Em 2025, a companhia reportou receita líquida de 9,7 bilhões de reais e um lucro de 879 milhões, o que representou uma rentabilidade sobre o patrimônio líquido de 38%. “A empresa melhorou a logística, diversificou as receitas e investiu em produtos de maior valor agregado”, afirma Gabriel Uarian, analista-chefe da assessoria de investimentos Cultura Capital. “Com isso, absorveu parte das pressões sobre os custos e repassou aumentos de forma mais controlada ao consumidor.”
Essas iniciativas também contribuem para que a Três Corações seja a campeã na categoria Alimentos da edição especial TOP30 — As Melhores Empresas do Brasil, publicada por VEJA NEGÓCIOS. Fundada em 1959 por João Alves de Lima na cidade de São Miguel (RN), a companhia começou vendendo café verde. Dois anos depois, passou a torrar e moer os grãos. Desde então, por meio de investimentos próprios, aquisições e parcerias estratégicas, diversificou sua atuação tanto no Brasil quanto no exterior. “Nosso objetivo não é apenas responder às tendências, mas antecipá-las”, diz Pedro Lima, filho do fundador e atual presidente do Grupo Três Corações. “Queremos oferecer produtos que acompanhem diferentes estilos de vida e momentos de consumo.”
Em março, a companhia anunciou a compra da operação brasileira da General Mills, uma das maiores produtoras de alimentos do mundo, por 800 milhões de reais. Com o negócio, a Três Corações passou a controlar marcas fortes no país como a Yoki, líder em categorias como farofa, pipoca de micro-ondas e batata-palha, e a Kitano, líder em temperos. Segundo Lima, a transação reforça o plano de ampliar a atuação em categorias complementares. O grupo também aposta cada vez mais em produtos voltados ao bem-estar, como barrinhas proteicas, cappuccinos proteicos prontos para beber e uma linha de descafeinados.
O destaque da Três Corações no ranking do TOP30 vem em um momento de pressão sobre o setor cafeeiro. Dados da Cecafé, entidade que reúne os exportadores do produto, mostram que o Brasil embarcou 17,8 milhões de sacas no primeiro semestre, movimentando cerca de 6,5 bilhões de dólares. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o volume embarcado caiu 8% e a receita recuou 13%. “Mesmo em um cenário adverso, o grupo preservou a eficiência operacional”, afirma Uarian, da Cultura Capital. Com 67 anos de existência, a Três Corações mostra que ainda tem fôlego para muito mais.
Publicado em VEJA, agosto de 2026, edição VEJA Negócios nº 29







