UEFA prepara denúncia criminal contra Infantino, presidente da Fifa
Entidade europeia tenta obter documentos ligados a investidor Joshua Kushner e articula novas medidas para pressionar pela saída de Gianni Infantino
A Uefa prepara uma denúncia criminal na Suíça contra Gianni Infantino, presidente da Fifa, devido ao plano frustrado de vender a investidores privados uma participação nos direitos comerciais da Copa do Mundo. A informação foi divulgada pelo Financial Times, com base em documentos apresentados em um tribunal dos Estados Unidos.
A entidade europeia também tenta obter documentos relacionados a Joshua Kushner, fundador da gestora Thrive Capital, e à unidade da Fifa para as Américas. A Thrive Eternal, veículo ligado ao grupo, havia sido escolhida para liderar o investimento em uma nova empresa que concentraria os ativos comerciais da entidade.
A proposta de Infantino previa levantar 4 bilhões de dólares, o equivalente a 20,6 bilhões de reais, com a venda de 20% dos direitos comerciais da Fifa, o que atribuiria à nova companhia um valor implícito de 20 bilhões de dólares (cerca de 103 bilhões de dólares). Nos documentos judiciais, a Uefa classificou essa avaliação como “absurdamente baixa” e afirmou estar preparando acusações contra Infantino e, eventualmente, outros dirigentes, assessores e envolvidos por suposta má gestão.
O projeto previa separar as operações comerciais da Fifa de suas funções como entidade responsável pelas regras e pela administração do futebol mundial. A proposta provocou resistência entre federações europeias e de outras regiões.
Infantino reconheceu que a condução das negociações foi inadequada e prometeu revisar o processo. Ele pretende disputar novamente a presidência da Fifa em março. Até agora, seus opositores não apresentaram um candidato para enfrentá-lo.
A crise aumentou a pressão sobre a liderança da entidade às vésperas de uma reunião de dirigentes europeus em Monte Carlo. A Uefa chegou a ameaçar boicotar competições organizadas pela Fifa, mas recuou da medida em relação à Copa do Mundo Feminina Sub-20, na Polônia.
O plano também dividiu as confederações. Enquanto a Uefa e entidades das Américas e do Caribe rejeitaram a proposta, dirigentes da África, da América do Sul e do Oriente Médio manifestaram apoio ao presidente. A Federação Saudita de Futebol declarou nesta quinta-feira apoio à permanência do dirigente e elogiou seu trabalho à frente da Fifa.
A entidade é fortemente dependente da receita da Copa do Mundo masculina, realizada a cada quatro anos. Infantino afirmou durante a edição de 2026 que a receita do ciclo de quatro anos encerrado neste ano deverá superar 15 bilhões de dólares.






