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UE reforçará ‘supervisão’ do sistema financeiro espanhol

A União Europeia (UE) anunciou nesta segunda-feira que supervisionará o sistema financeiro espanhol em seu conjunto e não só os bancos em dificuldades, em troca da ajuda solicitada pelo governo para recapitalizar os bancos.

“Celebramos o pedido oficial de ajuda da Espanha para recapitalizar suas instituições financeiras, mas queremos uma avaliação exaustiva do setor bancário espanhol, que incluirá as necessidades que este pode ter”, disse o Comissário de Assuntos Monetários, Olli Rehn, em um comunicado.

As duas avaliações realizadas por auditorias independentes estimaram em 62 bilhões de euros as necessidades dos bancos espanhóis no pior cenário.

Após a solicitação do resgate ao setor bancário da Espanha, a UE pediu que fosse acelerada as definição das “condições em troca da assistência financeira, em contato com o Banco Central Europeu (BCE), a Autoridade Bancária e o Fundo Monetário Internacional (FMI)”, disse o comunicado.

Os especialistas da Comissão “viajarão a Madri nos próximos dias”, afirmou o porta-voz comunitário Amadeu Altafaj, à imprensa.

“A ideia é ter pronto o Memorando de Entendimento (o acordo de resgate entre Espanha e a zona do euro) nas próximas semanas”, disse.

Ainda segundo Altafaj, o memorando pode não estar concluído em 9 de julho, como estava previsto.

A UE espera que a Espanha cumpra com seus compromissos, ou seja, que o governo de Mariano Rajoy deverá cumprir com as exigências de austeridade de Bruxelas para poder reduzir seu déficit público de 8,9% do PIB a 5,3% este ano, apesar da recessão e dos 24,44% de desemprego.

Além disso, foram exigidas condições a todo o sistema financeiro espanhol em troca da ajuda, cujo montante exato ainda deve ser definido dentro de um teto de 100 bilhões de euros oferecidos em 9 de junho pela zona do euro.

“O objetivo do acordo entre a UE e a Espanha é a recapitalização (bancária do país), mas em troca de uma regulação e uma maior supervisão” financeira, afirmou o porta-voz Amadeu Altafaj à imprensa, sem dar maiores detalhes.

A ajuda aos bancos espanhóis deve ser aportada primeiro pelo Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) e depois por seu sucessor, o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), que deverá entrar em vigor no início de julho, e será feito através do Fundo para Reestruturação do Setor Bancário (FROB), pelo qual será computado como dívida pública.

O ministro Guindos anunciou na semana passada que a ajuda poderia acontecer com um empréstimo a 15 anos, com taxas de juros entre 3% e 4%.

O governo espanhol se declara disposto a efetivar os detalhes do empréstimo “antes de 9 de Julho para que se possa discutir no próximo Eurogrupo”, que reunirá os ministros de Economia e de Finanças dos 17 países da zona do euro.

“A eleição do instrumento concreto no que materializará esta ajuda, terá em consideração às diferentes possibilidades disponíveis na atualidade e aquelas que podem decidir no futuro”, disse Ministério.

Com o empréstimo, a Espanha se tornará o quarto país da zona do euro a ser beneficiado por uma ajuda europeia, depois de Grécia, Irlanda e Portugal.O auxílio está limitado ao setor bancário espanhol, muito fragilizado após a explosão da bolha imobiliária de 2008.

As principais bolsas europeias fecharam a segunda-feira com fortes quedas, em um mercado preocupado com o futuro da zona do euro e com os resultados da decisiva reunião de quinta e sexta-feira em Bruxelas.

Milão perdeu 4,02%, Madri -3,67%, Paris -2,24%, Frankfurt -2,09% e Londres -1,14%. Já a Bolsa de Atenas recuou 6,84%.