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UE e Alemanha felicitam voto de ajuste na Grécia, que agora espera ajuda

A Comissão Europeia e a Alemanha, em particular, felicitaram a Grécia nesta segunda-feira pela aprovação de domingo – por seu Parlamento – do novo plano de ajustes, que classificaram como um “avanço crucial” para a concessão de novos empréstimos ao país e para a redução de parte da dívida grega.

O comissário europeu de Assuntos econômicos, Olli Rehn, disse que a aprovação “demonstra a determinação do país em encerrar à espiral da dívida” e se declarou confiante de que as demais condições impostas a Atenas serão cumpridas antes de quarta-feira.

O governo alemão, por sua vez, afirmou que a aprovação pelo Parlamento da Grécia do severo plano de ajustes demonstra a vontade desse país de fazer frente a suas dificuldades.

“O voto dos cortes demonstra a boa vontade da Grécia de realizar reformas difíceis”, disse Steffen Seibert, porta-voz da chefe do governo, Angela Merkel. O funcionário disse ainda que para a Alemanha, criticada por suas pressões a favor do ajuste, a aprovação das medidas não é uma questão de “economizar por economizar”, mas sim de “liberar as forças produtivas” gregas.

O plano foi adotado no domingo em meio a massivos protestos que deixaram dezenas de feridos e edifícios incendiados em Atenas.

A Alemanha era um dos alvos prediletos das reclamações dos manifestantes.

O projeto prevê a redução de 22% do salário mínimo (32% para os jovens de menos de 25 anos), a supressão de 15.000 empregos públicos e novos cortes de pensões.

O ministro alemão da Economia, Philipp Roesler, se mostrou menos entusiasmado que o porta-voz de Merkel e disse que espera pela aplicação das medidas.

As principais bolsas europeias reagiram bem ao anúncio grego e fecharam a sessão desta segunda-feira com altas moderadas, à exceção de Madri, com o mercado à espera da nova reunião do Eurogrupo na quarta-feira sobre Grécia.

Em Londres, o índice FTSE-100 avançou 0,91%, fechando aos 5.905,70 pontos.

Em Frankfurt, o índice DAX 30 dos principais valores subiu 0,68%, para 6.738,47 pontos. Na Bolsa de Paris, o seletivo CAC 40 ganhou 0,34%, para 3.384,55 pontos. Já o IBEX 35 de Madri recuou 0,10%, para os 8.788,3 pontos.

O ajuste foi aprovado pelo Parlamento grego por 199 votos a favor e 74 contra, com o apoio dos dois principais partidos: o socialista PASOK e o conservador Nova Democracia, que participam do governo de coalizão do primeiro-ministro Lucas Papademos.

Contudo, mais de vinte deputados socialistas e 21 da direita votaram contra e foram expulsos de seus respectivos grupos parlamentares.

O projeto prevê a redução de 22% do salário mínimo (32% para os jovens de menos de 25 anos), a supressão de 15.000 empregos públicos e novos cortes de pensões.

Apesar do alívio do mercado, o cenário visto nesta manhã em Atenas foi digno de um palco pós-guerra, com ruínas neoclássicas ainda soltando fumaça após os incêndios provocados no domingo e pela madrugada de segunda-feira e vitrines de lojas e estabelecimentos comerciais destruídos.

De acordo com dados oficiais, 54 civis e 68 oficiais ficaram feridos durante os confrontos entre policiais e manifestantes, que conseguiram reunir 80.000 pessoas em Atenas e 20.000 em Salônica.

Além disso, 45 edifícios foram total ou parcialmente destruídos pelos incêndios e dezenas de vitrines foram quebradas pela violência dos choques.

“A violência vista nas ruas de Atenas é inaceitável”, afirmou Olli Rehn. “Os autores desses incidentes não representam a maioria dos cidadãos gregos, sinceramente inquietos pelo futuro de seu país”, completou.

A adoção do projeto de lei na Grécia era exigida pela UE, pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelo FMI para desbloquear o novo empréstimo público de 130 bilhões de euros.

Caso a Grécia não receba ajuda, o país terá que decretar falência em março.

A votação também envolveu os títulos da dívida grega em mãos de credores privados, que devem ser reduzidos em ao menos 50%, o que implica na redução da dívida grega em 100 bilhões de dólares, para deixá-la a 120% do PIB até 2020 (a dívida atual é de 350 bilhões de dólares e equivale a 160% do PIB).

Além da aprovação de domingo, o porta-voz do governo grego, Pantelis Kapsis, anunciou nesta segunda-feira que a Grécia organizará eleições legislativas antecipadas em abril.

“Este governo tem um mês e meio de trabalho pela frente. Vamos terminar em março e as eleições acontecerão em abril”, declarou em Kapsis à imprensa.

Sem as eleições antecipadas, o mandato do atual governo poderia durar até outubro de 2013.