ASSINE VEJA NEGÓCIOS

UE começa hoje a restringir entrada de carnes brasileiras; veja impacto

Segundo o bloco, o Brasil não apresentou informações para comprovar que suas práticas estão de acordo com os padrões europeus

Bruno AndradePor Bruno Andrade Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 set 2026, 07h43 | Atualizado em 3 set 2026, 11h20
UE começa hoje a restringir entrada de carnes brasileiras; veja impacto Priorizar nos meus resultados Google

A União Europeia começa a restringir nesta quinta-feira, 3, a entrada de carnes e outros produtos de origem animal do Brasil no mercado do bloco. A medida impede a exportação de bovinos, aves, produtos da aquicultura, ovos, mel e tripas brasileiros para os países europeus, após o Brasil ser retirado da lista de países que atendem às exigências da UE para o uso de antimicrobianos na produção animal.

A decisão foi oficializada pela Comissão Europeia em junho e afeta um mercado de cerca de 450 milhões de consumidores. Segundo o bloco, o Brasil não apresentou informações suficientes para comprovar que suas regras e práticas relacionadas ao uso de antimicrobianos estão de acordo com os padrões europeus.

Os antimicrobianos são utilizados para combater a proliferação de microrganismos, como bactérias, fungos e vírus. O uso dessas substâncias na criação animal é alvo de regras específicas na União Europeia, que afirma exigir que os países exportadores sigam padrões equivalentes aos adotados no bloco.

O governo brasileiro havia enviado informações sobre o tema à Comissão Europeia em 21 de maio, antes do prazo final, e solicitado um período de adaptação às normas europeias até 2029.

Quais produtos brasileiros são afetados?

A restrição não se limita à carne bovina. A medida também atinge produtos de aves, ovos, peixes, mel e tripas, além de animais vivos destinados à produção de alimentos.

Continua após a publicidade

Enquanto o Brasil fica fora da lista de países autorizados, outros integrantes do Mercosul, como Argentina e Uruguai, continuam habilitados a exportar esses produtos para a União Europeia.

Em comunicado divulgado anteriormente, a Comissão Europeia confirmou que o Brasil não poderia exportar os produtos afetados a partir de 3 de setembro de 2026.

A porta-voz europeia para a saúde, Eva Hrncirova, afirmou que o Brasil precisa comprovar o cumprimento das exigências europeias durante toda a vida útil dos animais. Segundo ela, depois de comprovada a conformidade, a UE poderá autorizar ou retomar as exportações.

Continua após a publicidade

Em nota, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) vê com preocupação a interrupção das exportações brasileiras de carne bovina para a União Europeia.

A entidade diz que realizou a construção do protocolo privado de controle sobre o uso de antimicrobianos, desenvolvido pela ABIEC, pela Associação Brasileira das Certificadoras por Auditoria e Rastreabilidade (ABCAR) e pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

“O protocolo, que faz parte das garantias oficiais brasileiras, já está em processo de execução junto à cadeia, sendo que 100% das empresas associadas à ABIEC e habilitadas ao mercado europeu estão aderidas”

Continua após a publicidade

Segundo a ABIEC, a carne bovina brasileira seguirá sendo comercializada nos mercados para os quais estiver habilitada, mas não há substituição automática do mercado europeu, uma vez que diferentes destinos demandam produtos e cortes distintos.

“Por isso, a prioridade da ABIEC é contribuir para que esse fluxo comercial seja restabelecido no menor prazo possível, preservando a diversificação dos destinos, a competitividade da cadeia e a presença internacional da carne bovina brasileira”, diz a entidade.

Decisão ocorre em meio a pressão de agricultores europeus

A decisão também ocorre em um momento de tensão entre produtores rurais europeus e o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul.

Continua após a publicidade

O setor agrícola europeu, especialmente na França, pressinou ao longo do ano governos contra o acordo. Agricultores franceses realizaram protestos e manifestações contra a abertura do mercado europeu aos produtos dos países do Mercosul.

A Comissão Europeia defende que produtos importados precisam seguir padrões equivalentes aos exigidos dos produtores europeus.

“Nossos agricultores seguem alguns dos padrões de saúde e antimicrobianos mais rigorosos do mundo. Portanto, é legítimo que os produtos importados estejam sujeitos aos mesmos requisitos. A decisão tomada hoje demonstra que o sistema europeu de controle funciona”, afirmou em maio o comissário europeu para a Agricultura, Christophe Hansen.

Continua após a publicidade

A medida representa mais uma barreira para o agronegócio brasileiro no mercado europeu e ocorre enquanto Brasil e União Europeia avançam nas relações comerciais por meio do acordo entre o bloco europeu e o Mercosul.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em amarelo e branco: O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com banner e produtos. Ao lado, um ícone de árvore verde-claraMão segurando um smartphone com tela exibindo um aplicativo de notícias e produtos. À esquerda, texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. Fundo verde escuro com ícone de árvore à direita
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Essencial

O mercado não espera — e você também não pode!
Com a Veja Negócios Digital, você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Premium
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 9,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).