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Turismo e saúde lideram perdas na bolsa após caso de coronavírus no país

Ibovespa cai mais de 5% com avanço da epidemia; Banco Central intervém para segurar alta do dólar

Por Victor Irajá - 26 fev 2020, 14h14

O mercado financeiro acordou de ressaca nesta quarta-feira de cinzas. Num dia de pânico para as economias globais, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, abriu em forte queda no pregão desta quarta, 26, depois de ficar fechada durante os quatro dias de Carnaval e o mercado brasileiro assistir, de longe, o despencar de índices de ações ao redor do mundo. O motivo: a piora no cenário global pela expansão do coronavírus. O pregão foi iniciado às 13h desta quarta e, às 13h55h, o Ibovespa, índice que reúne as principais empresas listadas na bolsa, caía 5,16% — o índice, é claro, perdeu o patamar de 110 mil pontos e, no mesmo horário, operava em 107.737 pontos. Além da complicada situação na Europa, onde, na Itália, o governo já contabiliza 12 mortes e mais de 200 infectados, e a ressaca do feriado, o pregão brasileiro foi, evidentemente, impactado pela confirmação do primeiro caso de coronavírus no Brasil.

As principais quedas se davam nas empresas com atuação voltada ao turismo. No mesmo horário, as companhias aéreas Azul e Gol registravam perdas de 9,51% e 7,39%, respectivamente. Os temores dos investidores envolvem a preocupação sólida de que a doença prejudique a operação de voos e, consequentemente, das companhias. A CVC, agência de viagem, caía 6,87%. Outro setor muito influenciado foi o de commodities, como a Vale — cuja exportação de minério de ferro deve ser reduzida pelo coronavírus —, que caía 7,24%. As exportações para a China, com muitas indústrias paradas, já foi percebida pela empresa. As principais ações da Petrobras derretiam 7,59%, pelo mesmo motivo: a preocupação de que a exportação de petróleo seja impactada, com o alastrar do vírus na Europa e a situação lamentável na China.

As empresas de saúde sofriam queda expressiva no início da tarde, dada a preocupação dos investidores com a margem de lucro das empresas — e, claro, a incerteza envolvendo o ritmo de registro de novas infecções confirmadas no Brasil. O plano de saúde Sulamérica afundava incríveis 12,04% às 14h00. O grupo Hapvida, por sua vez, registrava queda de quase 7%.

O dólar, por sua vez, decolou para o mais alto patamar nominal da história, ultrapassando pela primeira vez a marca de 4,42 reais. Para conter o avanço, o Banco Central injetou a moeda americana no mercado por meio de leilões de swap cambial reverso, avaliados em mais de 1,5 bilhão de dólares. De fato, hoje o mercado acordou doente.

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