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Trump prepara novo tarifaço sobre dezenas de países após derrota na Suprema Corte

Governo dos EUA estuda sobretaxas de até 12,5% com base em investigações comerciais

Por Ernesto Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 21 jul 2026, 14h35 | Atualizado em 21 jul 2026, 14h37
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prepara uma nova ofensiva tarifária sobre produtos importados de cerca de 60 países, poucos meses depois de a Suprema Corte limitar o uso dos chamados “poderes de emergência” para impor sobretaxas comerciais.

A expectativa é que as novas medidas sejam anunciadas ainda nesta semana.

Segundo o Financial Times, o governo trabalha em um novo instrumento jurídico para manter a estratégia protecionista de Trump.

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Em vez de recorrer às prerrogativas presidenciais rejeitadas pela Justiça, a Casa Branca pretende justificar as tarifas com base em investigações comerciais sobre supostas práticas de trabalho forçado e excesso de capacidade industrial em diversos países.

As novas tarifas devem variar entre 10% e 12,5%, percentual próximo ao atualmente aplicado sobre importações de dezenas de parceiros comerciais. A alíquota provisória, em vigor desde fevereiro, perde validade na próxima sexta-feira.

Nova base legal

A mudança ocorre após a Suprema Corte invalidar, no início do ano, as chamadas tarifas recíprocas anunciadas por Trump no chamado “Dia da Libertação”, em abril de 2025.

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Na ocasião, o presidente havia recorrido a poderes de emergência para impor sobretaxas de forma imediata a produtos estrangeiros.

Sem esse instrumento, o governo passou a recorrer à Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo tradicional da política comercial americana que exige investigações formais antes da adoção de barreiras tarifárias.

Além da apuração sobre trabalho forçado, Washington conduz uma segunda investigação sobre excesso de capacidade industrial em diversos mercados, o que poderá abrir espaço para tarifas ainda mais elevadas no futuro.

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Entre os países e blocos incluídos nesse processo estão União Europeia, China, Japão, Índia, México, Coreia do Sul, Taiwan, Vietnã, Tailândia, Indonésia, Malásia, Bangladesh, Singapura, Suíça e Noruega.

Pressão política cresce

A nova ofensiva comercial ocorre em um momento delicado para a Casa Branca.

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O aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã voltou a pressionar os preços internacionais da energia, elevando o custo da gasolina para os consumidores americanos. Nesta semana, o preço médio do combustível voltou a superar US$ 4 por galão.

O encarecimento do custo de vida passou a preocupar aliados do presidente às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato, previstas para o próximo ano.

De acordo com o Financial Times, integrantes do governo defendem uma postura mais cautelosa nas negociações comerciais e aconselharam Trump a preservar os acordos firmados com parceiros internacionais ao longo de 2025, evitando novos choques sobre a economia americana.

Tarifas continuam no centro da estratégia

Apesar das resistências internas, Trump tem mantido as tarifas como principal instrumento de política comercial.

Na segunda-feira, o presidente anunciou uma sobretaxa de 50% sobre produtos canadenses. Dias antes, também havia imposto uma tarifa de 25% sobre importações brasileiras.

Ao mesmo tempo, a administração vem ampliando exceções para reduzir os efeitos sobre consumidores americanos. Produtos considerados essenciais, como café e carne bovina, receberam isenções parciais, enquanto algumas tarifas sobre itens produzidos com aço e alumínio foram flexibilizadas.

Ainda assim, a nova estratégia mostra que, após a decisão da Suprema Corte, a Casa Branca passou a depender de processos administrativos mais longos para sustentar sua política tarifária, reduzindo a capacidade de impor grandes sobretaxas de forma imediata.

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