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Touro de Ouro da B3 está escondido e tem destino indefinido

Desde imbróglio com prefeitura paulistana, donos da obra receberam propostas de diversos estados e de empresários; escultura é mantida em um galpão pela B3

Por Felipe Mendes Atualizado em 9 dez 2021, 16h25 - Publicado em 9 dez 2021, 08h32

Retirada da frente da sede da B3, a bolsa de valores brasileira, em 23 de novembro, após ser alvo de diversos protestos e ação movida pelo político e ativista Guilherme Boulos (PSOL/SP), líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), a escultura “Touro de Ouro” tem sido mantida a salvo de novas intervenções. Escondido em um galpão logístico pela B3, na cidade de São Paulo, a polêmica obra aguarda enquanto se define um novo destino para ela. Segundo fontes que acompanham o assunto, a Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU) do município chegou a fazer contato pela volta da obra, diante de pedidos dos comerciantes da região, que gostaram da atração que a escultura trouxe. A B3, no entanto, reluta e está estudando um novo local para o objeto, que foi alvo de pichações durante os sete dias que esteve em exposição pública, e que exigiam cuidados de segurança e de restauros permanentes.

A obra do artista plástico e arquiteto Rafael Brancatelli elaborada em parceria com o economista Pablo Spyer, sócio da XP Inc, inclusive, já virou alvo de disputa. De empresários a políticos de outras regiões, foram diversas as propostas recebidas pela B3 nas últimas semanas. “Foram mais de 20 ofertas de compra do touro e cerca de 10 prefeituras entraram em contato oferecendo espaços para exposição”, diz um dos envolvidos no projeto. A B3, no entanto, não pretende negociá-lo. O mais provável é que o Touro de Ouro ganhe nova instalação. Uma opção estudada é que a peça vá para um museu da capital paulista.

A avaliação interna é de que o imbróglio que culminou na retirada do Touro de Ouro foi politizado e que isso trouxe uma distorção dos interesses da bolsa de valores envolvendo a instalação da obra. Em uma rede social, o fundador da XP Inc, Guilherme Benchimol, criticou a retirada da estátua. “O centro de São Paulo precisava de alguma coisa que pudesse atrair as pessoas para reaquecer o comércio local e retomar a economia. Nos poucos dias que o Touro esteve em frente da B3, isso vinha acontecendo. Quantas famílias, estudantes e tantos outros não foram visitá-los. É uma pena!”, escreveu Benchimol. “Um dos maiores absurdos que já vi”. Entre críticas e apoios, a publicação gerou, até o momento, mais de 22.000 interações e 2,7 mil comentários.

Integrantes da CPPU discutem a implementação de multa aos idealizadores da intervenção artística por meio da Lei Cidade Limpa. Entende-se que a obra possa conter cunho publicitário e conflito de interesses por estar associada ao projeto de uma escola para educação financeira, a Touro Inc, idealizada por Pablo Spyer, por meio da XP. Durante os seus poucos dias em exposição pública à frente da B3, o touro recebeu protestos contra a fome e a favor da taxação dos mais ricos. Benchimol refutou em sua publicação. “Muitos, por ignorância, acreditam que as bolsas de valores são lugares meramente especulativos. Se enganam! É um lugar onde as empresas captam recursos, para que possam ampliar seus negócios, gerando emprego, renda para a população, pagamento de impostos para o estado e trazer inovação para a sociedade”. Também houve azar, porque, em vez de decolar, o Ibovespa acumulou perdas nos sete dias do touro solto nas ruas, o que ofuscou o brilho da obra — que, na verdade, é de metal, não de ouro.

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