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Tombini: volume de crédito no País cresce acima de 15%

Por Adriana Fernandes e Fernando Nakagawa

Brasília – O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, admitiu hoje, durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, que o volume de crédito no Brasil está crescendo num ritmo um pouco maior do que 15%. No primeiro semestre, Tombini havia dito que o patamar desejável para o crescimento do crédito no País era em torno de 12% e 15%.

Na CAE, ele ressaltou que os dados que serão divulgados hoje pelo BC mostram o crédito com menor crescimento. “Hoje tem divulgação da nota de crédito que mostra um menor crescimento, mas em linha com atual posição da economia. Talvez não os 15% que falávamos, mas um pouco mais”, disse.

Segundo ele, as medidas macroprudenciais adotadas pelo BC e pelo governo contribuíram para a moderação do crescimento do crédito, convergindo para um ritmo sólido e sustentável. Tombini destacou na CAE que a inadimplência está muito abaixo de todos os picos anteriores, apesar da elevação recente. Ele mostrou dados que indicam um crescimento médio do saldo nominal do crédito entre 2009 e 2011.

Setor financeiro

Na audiência, o presidente do BC afirmou ainda que o sistema financeiro nacional está bem capitalizado, com nível adequado de provisão e baixo índice de alavancagem.

Por outro lado, ele chamou a atenção para o fato de que a crise que envolve o aumento do risco soberano na Europa impacta também o risco do sistema financeiro nesses países. “Isso impactou o risco dos bancos, já que eles têm esses papéis”.

“É possível observar elevação no risco dos bancos”, disse, ao comentar que o movimento é mais forte em países como Itália, França e Espanha, mas também afeta mercados como Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido.

O presidente do BC explicou que essa contaminação acontece porque a crise gera perda de valor nas ações dessas instituições financeiras. A piora da percepção da qualidade desses ativos gera percepção de “descapitalização” dos bancos. “Essa percepção de descapitalização por conta da qualidade dos ativos acaba afetando a capacidade da instituição de se financiar no mercado”.

Um dos resultados é observado no aumento do custo de captação dos bancos, que aumentou fortemente desde semanas antes de agosto. Esse salto aconteceu especialmente na Europa. Tombini também destacou a forte deterioração dos indicadores de risco das dívidas soberanas – os chamados CDS, contratos de proteção contra calote nesses papéis. “Houve um repique na probabilidade da falta de capacidade de pagamento das dívidas. A Grécia chegou aos 4 mil pontos no CDS”.