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Tombini vê piora em expectativa de crescimento global

Por Adriana Fernandes e Fernando Nakagawa

Brasília – O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, demonstrou um prognóstico pouco otimista com as perspectivas da atividade econômica nos próximos meses. Segundo ele, “já se fala em contração” na Europa no 4º trimestre de 2011 e também nos Estados Unidos, que seriam afetados no 1º trimestre de 2012.

Um dos argumentos para essa leitura pouco otimista é baseada nos indicadores relativos à produção industrial. “Hoje vemos uma virada preocupante em relação à perspectiva econômica, e o Brasil não está isolado. Está havendo revisão para baixo das perspectivas, incluindo aí a China, o que é uma novidade”, disse Tombini ao apresentar dados de atividade econômica medidos pela pesquisa PMI. Outro indicador é a piora dos números de confiança do consumidor.

Fluxo comercial

Tombini acrescentou hoje, durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, que o BC observa nos últimos meses um aumento do fluxo comercial. Segundo ele, tem havido uma predominância dos fluxos comerciais sobre os financeiros. As medidas adotadas pelo governo, disse ele, moderaram o fluxo financeiro de capitais para o Brasil.

De acordo com Tombini, essas medidas contribuíram também para mudar a composição dos ingressos de capitais, passando a prevalecer o ingresso de investimento estrangeiro direto (IED) no lugar de outros tipos de capitais. Ele apresentou números que mostram que, enquanto em 2010 os ingressos de IED representavam 37,4% dos fluxos, em 2011 são equivalentes a 62,9%. Já os demais fluxos (títulos de renda fixa, ações, empréstimos) caíram de 62,6% em 2010 para 37,1% em 2011.

Para Tombini, as medidas também contribuíram para melhorar a maturidade dos capitais que ingressaram. Observou-se uma redução do fluxo de capitais de curto prazo e ao mesmo tempo um aumento do fluxo de longo prazo.

O presidente do BC também destacou que o primeiro resultado da desvalorização do real frente ao dólar é uma melhora da dívida externa do setor público, já que o governo é credor na moeda norte-americana.

Ela acrescentou que a política macroeconômica adotada pelo Brasil têm contribuído para a redução da vulnerabilidade da economia do País. Ele apresentou dados que mostram uma melhora dos indicadores de endividamento externo desde 2003. A dívida de curto prazo em relação às reservas caiu de 2003 a agosto de 2011 de 120,6% para 21,5%, destacou. “Vemos uma economia menos vulnerável do que há oito anos”, concluiu.