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Tombini: perda nas bolsas em 4 meses soma 10 trilhões de dólares

Presidente do BC se mostra pouco otimista com as perspectivas da atividade econômica

O presidente do BC também destacou que o primeiro resultado da desvalorização do real frente ao dólar é uma melhora da dívida externa do setor público, já que o governo é credor na moeda norte-americana

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, disse as bolsas de valores mundiais registram perdas aproximada de 10 trilhões de dólares, segundo levantamentos internacionais. “Essa perda de riqueza tem efeito negativo e perverso sobre o comportamento dos agentes econômicos”.

Um dos efeitos, segundo Tombini, é a redução das perspectivas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos países. “Há uma redução drástica das percepções de crescimento. Uma revisão significativa”, afirmou ele ao comentar que o Comitê de Política Monetária (Copom) já havia alertado para a redução das previsões de crescimento de economias, como a dos Estados Unidos, por exemplo.

Expectativas – Tombini demonstrou um prognóstico pouco otimista com as perspectivas da atividade econômica nos próximos meses. Segundo ele, “já se fala em contração” na Europa no 4º trimestre de 2011 e também nos Estados Unidos, que seriam afetados no 1º trimestre de 2012.

Um dos argumentos para essa leitura pouco otimista é baseada nos indicadores relativos à produção industrial. “Hoje vemos uma virada preocupante em relação à perspectiva econômica, e o Brasil não está isolado. Está havendo revisão para baixo das perspectivas, incluindo aí a China, o que é uma novidade”, disse Tombini ao apresentar dados de atividade econômica medidos pela pesquisa PMI. Outro indicador é a piora dos números de confiança do consumidor.

Fluxo comercial – Tombini acrescentou, durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, que o BC observa nos últimos meses um aumento do fluxo comercial. Segundo ele, tem havido uma predominância dos fluxos comerciais sobre os financeiros. As medidas adotadas pelo governo, disse ele, moderaram o fluxo financeiro de capitais para o Brasil.

De acordo com Tombini, essas medidas contribuíram também para mudar a composição dos ingressos de capitais, passando a prevalecer o ingresso de investimento estrangeiro direto (IED) no lugar de outros tipos de capitais. Ele apresentou números que mostram que, enquanto em 2010 os ingressos de IED representavam 37,4% dos fluxos, em 2011 são equivalentes a 62,9%. Já os demais fluxos (títulos de renda fixa, ações, empréstimos) caíram de 62,6% em 2010 para 37,1% em 2011.

Para Tombini, as medidas também contribuíram para melhorar a maturidade dos capitais que ingressaram. Observou-se uma redução do fluxo de capitais de curto prazo e ao mesmo tempo um aumento do fluxo de longo prazo.

O presidente do BC também destacou que o primeiro resultado da desvalorização do real frente ao dólar é uma melhora da dívida externa do setor público, já que o governo é credor na moeda norte-americana.

Ela acrescentou que a política macroeconômica adotada pelo Brasil têm contribuído para a redução da vulnerabilidade da economia do país. Ele apresentou dados que mostram uma melhora dos indicadores de endividamento externo desde 2003. A dívida de curto prazo em relação às reservas caiu de 2003 a agosto de 2011 de 120,6% para 21,5%, destacou. “Vemos uma economia menos vulnerável do que há oito anos”, concluiu.

(Com Agência Estado)