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Tombini: parte do crescimento baixo em 2015 virá dos ajustes

Presidente do BC disse em Davos que apresentou cenário "cautelosamente otimista" a investidores estrangeiros

Por Ana Clara Costa, de Davos - 23 jan 2015, 16h11

O presidente do Banco Central Alexandre Tombini se reuniu com autoridades, empresários e investidores estrangeiros ao longo desta sexta-feira, em Davos, na Suíça, para apresentar suas perspectivas para a economia brasileira e latino-americana. Segundo Tombini, houve interesse por parte dos estrangeiros em relação às medidas que estão sendo adotadas no Brasil para garantir a retomada do crescimento econômico. Contudo, o presidente do BC ponderou que parte do crescimento baixo previsto para 2015 decorrerá precisamente dos ajustes que estão sendo implementados. O ministro da Fazenda Joaquim Levy afirmou, também em Davos, que o Brasil deverá ter crescimento “flat” este ano – ou seja, muito próximo de zero, com retomada prevista apenas para 2016.

Tombini falou com a imprensa na tarde desta sexta-feira, após reuniões promovidas no Fórum Econômico Mundial, e se disse “cautelosamente otimista” em relação ao Brasil. O discurso de cautela, aliás, tem sido adotado também pelo ministro da Fazenda ao se dirigir a investidores para comentar as perspectivas para o Brasil. Empresários que se reuniram com Levy em Davos afirmaram que o tom do ministro tem sido ponderado e que ele mostra preocupação em não criar expectativas infundadas em relação ao desempenho da economia do país. Em Davos, Tombini manteve o mesmo discurso. “Parte do baixo crescimento tem a ver com esse processo de ajuste que está em curso nas principais economias da região, notadamente no Brasil. É certamente importante o fato de que haja uma consciência de que precisamos nos preparar para esse ambiente de condições monetárias mais apertadas ali na frente”, disse o presidente.

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Ao ser questionado sobre o avanço da inflação previsto para 2015, em decorrência dos inúmeros reajustes que entrarão em curso no primeiro trimestre (sobretudo o de energia), Tombini voltou a dizer que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficará “bastante acima do teto da meta” de 6,5% ao ano nos primeiros meses, mas que iniciará uma trajetória de queda que deve converter para o centro da meta, de 4,5%, em 2016. Tombini citou as projeções de economistas ouvidos para a pesquisa Focus, que já começaram a reduzir suas projeções para o IPCA no médio prazo, entre 2016 e 2019.

O presidente do BC embarcou para a Suíça na quarta-feira, logo após a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que elevou a taxa básica de juros para 12,25% ao ano. Ele deve ficar em Davos para reuniões bilaterais até o início da tarde de sábado, quando voltará ao Brasil. Tombini não comparecerá ao painel de encerramento do Fórum, o Global Economic Outlook, que terá entre os participantes o ministro Levy.

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