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Tesouro revisa plano da dívida e aumenta espaço para títulos ligados à Selic

Mudança reflete juros elevados, maior volatilidade e preferência dos investidores por papéis de menor duração

Por Carolina Ferraz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 26 ago 2026, 16h58
Tesouro revisa plano da dívida e aumenta espaço para títulos ligados à Selic Priorizar nos meus resultados Google

O Tesouro Nacional revisou os limites de referência para a composição da Dívida Pública Federal (DPF) previstos no Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2026. A atualização publicada nesta quarta-feira, 26, aumenta o espaço destinado aos títulos flutuantes, atrelados à Selic, e reduz as faixas de referência para os papéis prefixados e aqueles indexados à inflação.

A mudança ocorre em um cenário de juros elevados e maior volatilidade nos mercados doméstico e internacional. Segundo o Tesouro, a combinação desses fatores tem levado investidores a priorizar instrumentos de menor duração e menos sensíveis às oscilações das taxas de juros. Com isso, a demanda por títulos vinculados à Selic ganhou força, favorecendo a emissão desses papéis e elevando sua participação relativa no estoque da dívida pública.

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A revisão também considera o ambiente internacional mais incerto, marcado por tensões geopolíticas e seus potenciais efeitos sobre as condições financeiras globais. Para o Tesouro, a persistência desse cenário mantém os prêmios de risco elevados e torna menos favorável a emissão de títulos de prazo mais longo e com taxas prefixadas.

Na prática, a alteração dos limites não representa uma mudança estrutural na estratégia de financiamento do governo, mas uma adaptação do planejamento às condições atuais do mercado. O objetivo é manter a estratégia de emissão exequível diante do comportamento da demanda pelos diferentes tipos de títulos.

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A atualização busca ainda preservar a transparência dos parâmetros utilizados pelo Tesouro e contribuir para o funcionamento regular do mercado de títulos públicos.

Por que isso importa?

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A composição da dívida é acompanhada de perto pelo mercado porque influencia o custo e o risco de financiamento do governo. Títulos atrelados à Selic, por exemplo, têm menor sensibilidade às variações das taxas de juros, mas fazem com que o custo da dívida acompanhe diretamente o nível da taxa básica.

Já os títulos prefixados permitem maior previsibilidade sobre o custo futuro do financiamento, enquanto os papéis indexados ao IPCA protegem o investidor contra a inflação. A mudança nos limites indica, portanto, uma adaptação do Tesouro a um momento em que os investidores demonstram maior preferência por liquidez e menor exposição às oscilações dos juros.

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