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Tensão externa faz dólar subir para R$ 1,8440

Por Silvana Rocha

São Paulo – Refém da tensão externa, o dólar no mercado doméstico retomou a alta e fechou na máxima do dia, a R$ 1,8440 (+2,10%) no balcão, preço mais alto desde 29 de novembro. O forte ajuste ocorreu com giro financeiro relativamente pequeno, que mostra a cautela dos investidores diante da falta de solução pelos líderes europeus para questões cruciais na reunião de cúpula da União Europeia da semana passada.

A indefinição sobre a alavancagem da Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês) e o papel do Banco Central Europeu (BCE) na solução para a crise da zona do euro induziu a corrida dos investidores hoje para ativos considerados seguros, após o alívio passageiro na sexta-feira com o pacto fiscal e o aporte de 200 bilhões de euros para o FMI. Além disso, as agências de classificação de risco elevaram a inquietação ao sinalizar possível revisão de rating soberanos europeus no curto prazo.

A alta de 2,10% registrada pelo dólar no balcão é a maior variação diária desde 23 de novembro. No mês, a moeda acumula ganho de 1,93% ante o real e, no ano, de +10,82%. Na BM&F, o dólar à vista terminou com valorização de 1,88%, a R$ 1,8394. O fluxo cambial foi pequeno e equilibrado, por isso, a taxa do cupom cambial estava em +0,15% por volta das 15h30, ante +0,17% no fim da sessão de sexta-feira.

Mais cedo, a agência Moody’s afirmou que a cúpula da UE ofereceu poucas medidas novas e disse que vai reavaliar os ratings soberanos europeus no próximo ano. A Standard & Poor’s também deverá fazer um pronunciamento depois de ter colocado os ratings de 15 países da zona do euro em revisão para possível rebaixamento na semana passada. Nesse contexto, a queda da taxa de retorno ao investidor (yield) no leilão de títulos da Itália, hoje, foi praticamente ignorada.