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Tensão entre Coreias atinge mercado financeiro e pode afetar economia global

Bolsa sul-coreana despencou quase 4% no acumulado da semana e temor é que novas quedas aconteçam nos próximos dias. A frágil situação da economia global pode antecipar os problemas para diversos países

Por Da Redação 5 abr 2013, 22h35

Com o aumento da tensão entre as duas Coreias, o vice-ministro das Finanças sul-coreano, Choo Kyung-ho, advertiu nesta sexta-feira que o impacto nos mercados financeiros poderá ser prolongado. Ele prometeu, porém, tomar medidas rápidas e fortes para estabilizá-los, se necessário.

“No passado, (os mercados) se recuperaram rapidamente do impacto de qualquer evento relacionado à Coreia do Norte, mas as recentes ameaças do país são mais fortes e o impacto pode, portanto, não desaparecer rapidamente”, disse Kyung-ho.

Ele fez a declaração na abertura de uma reunião com outros funcionários de agências relacionadas à economia para discutir possíveis medidas a fim de garantir a estabilidade dos mercados, que até agora se mantiveram relativamente calmos.

O principal índice da bolsa de Seul (Coreia do Sul), o Kospi Composto, caiu 1,6% nesta sexta-feira, somando 3,9% de queda em cinco pregões, enquanto o won (moeda local) perdeu 1,1% no período. Ações de montadoras lideraram as perdas em Seul devido a um grande recall de veículos da Hyundai Motor e da Kia Motors nos EUA. As montadoras também foram prejudicas pelo enfraquecimento do iene, causado após o anúncio do programa de política monetária do Banco do Japão. A Hyundai perdeu 4,4% e a Kia, 4,7%, respectivamente, nesta sexta-feira.

O diretor executivo da General Motors (GM), Dan Akerson, afirmou nesta sexta em entrevista ao canal de TV CNBC que sua companhia está fazendo planos de contingência para manter empregados das plantas da Coreia do Sul em segurança e que, se a tensão aumentar mais, a tendência é que a GM pense em transferir a produção para outra localidade. “Se algo acontecer na Coreia, isso impactará toda a indústria, não somente a General Motors”, disse Akerson.

A tensão entre os dois países não é novidade, persiste há décadas e o mercado financeiro já vem incorporando esse risco. Contudo, o estranhamento está mais forte agora, especialmente depois que Kim Jong-un foi eleito líder do país (2011) e após os Estados Unidos aprovarem sanções contra a Coreia do Norte depois de seu teste nuclear em fevereiro de 2013. Se a situação piorar ainda mais, analistas estimam que não só o mercado coreano, mas a economia global como um todo, poderá ser afetada, o que teria consequências ruins dada a frágil situação atual. Ou seja, é um entrave adicional num momento inoportuno.

“Os norte-coreanos agora estão usando a propaganda em sua forma mais extrema para tentar atingir o investimento estrangeiro direto da Coreia do Sul”, disse Tom Coyner, membro da Câmara de Comércio Americana na Coreia do Sul.

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As tensões na península coreana aumentaram muito nas últimas semanas à medida em que a Coreia do Norte intensificou as ameaças de ataques contra bases militares dos Estados Unidos não só na Ásia, mas no continente americano. As novas ameaças foram feitas após a imposição de novas sanções da Organização das Nações Unidas (ONU) em resposta ao terceiro teste nuclear da Coreia do Norte, em fevereiro.

Os Estados Unidos disseram na quinta-feira que enviarão em breve um sistema de defesa antimísseis para a ilha de Guam, seu território no oceano Pacífico, para defendê-la da Coreia do Norte. O secretário americano de Defesa, Chuck Hagel, considerou de “perigo real e claro” vindo de Pyongyang.

Nesta sexta-feira a Coreia do Norte ganhou os holofotes após instalar dois mísseis de alcance intermediário em lançadores móveis e os escondeu na costa leste do país, conforme afirmou a agência sul-coreana Yonhap, citando fontes militares. A informação dá forças às especulações de que a Coreia do Norte está pronta para lançar um míssil abruptamente. Ao mesmo tempo, segundo a BBC, diplomatas britânicos foram informados, pelo governo de Pyongyang, que sua segurança não poderá ser garantida após 10 de abril, no caso de um conflito – reforçando orientação anterior de desocupação de todas as embaixadas no país.

Na quinta-feira, a CNN divulgou imagens e conversas interceptadas que mostravam a movimentação da Coreia do Norte com o transporte de mísseis, lançadores e combustíveis para a costa leste. Em resposta, a Coreia do Sul deslocou nesta sexta-feira dois navios de guerra com capacidade para interceptar mísseis balísticos para sua costa. Segundo declarou um porta-voz do ministério da Defesa para a agência de notícias sul-coreana, os destróieres com 7.600 toneladas foram divididos entre a costa leste e oeste do país e estão equipados com o sistema de radar Aegis, capaz de detectar e destruir mísseis em sua trajetória intermediária. Nesta semana, o regime comunista transportou dois mísseis do tipo Musudan para a costa leste, levando os EUA a enviarem seu avançado sistema de defesa de mísseis à sua base de Guam, no Oceano Pacífico.

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(com agência Reuters)

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