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Temor se renova e bolsas europeias têm fortes baixas

Por Sergio Caldas

Londres – As bolsas europeias tiveram mais um pregão de fortes baixas nesta segunda-feira, influenciadas por incertezas com a situação da Grécia e temores de que a Espanha como um todo, e não apenas seu setor bancário, possa precisar de um pacote de ajuda.

O índice Stoxx Europe 600 recuou 2,5% e encerrou o pregão aos 251,75 pontos, depois de perder 1,4% na sessão anterior.

As ações na Europa estão sob pressão desde a semana passada, quando a Espanha revisou para baixo suas projeções de PIB para 2013 e 2014 e a região espanhola de Valência anunciou que vai buscar ajuda do governo federal para refinanciar sua dívida. No fim de semana, a região de Múrcia afirmou que também vai pedir ajuda de Madri em setembro.

Outro resultado da turbulência na zona do euro foi a forte alta dos yields (juros) de títulos soberanos da Itália e Espanha.

Na Itália, os negócios com grandes bancos ficaram suspensos por cerca de uma hora depois de a Consob, órgão regulador do mercado de capitais do país, proibir vendas a descoberto de ações financeiras durante toda a semana. Uma determinação semelhante foi anunciada na Espanha, que nesta segunda-feira pela primeira vez baniu vendas a descoberto de todos os tipos de ações.

“É possível que estejamos entrando no período que determinará o futuro da zona do euro”, disse Gary Jenkins, diretor-gerente da Swordfish Research. “Na sexta, pareceu que o mercado desistiu da Espanha.”

A Grécia também voltou a preocupar os investidores após a revista alemã Der Spiegel publicar que o Fundo Monetário Internacional vai suspender a ajuda financeira para Atenas, gerando temores de que o país fique insolvente e seja obrigado a deixar a zona do euro. A trinca de credores da Grécia – Comissão Europeia, União Europeia e FMI – visita a capital grega esta semana para avaliar o cumprimento dos termos do pacote de ajuda concedido ao país.

Apesar de a Espanha estar no centro do furacão, o índice Ibex-35 teve a menor queda entre as principais praças europeias, recuando 1,1%, para 6.177,40 pontos. A Telefónica caiu 2,1%, mas os grandes conglomerados financeiros se recuperaram no final da sessão, com Santander e BBVA avançando 0,3% e 1%, respectivamente.

A maior queda foi do índice Dax, de Frankfurt, que perdeu 3,18% e encerrou o dia aos 6.419,33 pontos, depois de garantir um ganho de 1,11% ao longo da semana passada. O banco Commerzbank e a fabricante de cimento HeidelbergCement apresentaram expressivas perdas de 6,1% e 6%, respectivamente.

Em Londres, o índice FTSE-100 caiu 2,09%, para 5.533,87 pontos. Todas as ações fecharam em baixa e os bancos tiveram perdas pesadas, com o Royal Bank of Scotland sofrendo queda de 3,3% e o HSBC recuando 3,5%.

O índice CAC-40, de Paris, encerrou aos 3.101,53 pontos, com baixa de 2,89%. Como em outras praças, as ações do setor financeiro sentiram o maior impacto: Crédit Agricole e BNP Paribas despencaram 5,5%, Axa perdeu 5,4% e Société Générale teve queda de 4,6%.

Em Milão, o índice FTSE Mib terminou com desvalorização de 2,76%, aos 12.706,36 pontos. No setor financeiro, Intesa SanPaolo e Unicredit recuaram 1,8% e 0,2%, respectivamente, e a seguradora Generali caiu 2,5%. O Banca Monte dei Paschi di Siena, após uma sessão volátil, avançou 4%.

Entre bolsas menores, a de Atenas tombou 7,1%, com o índice ASE acabando o dia aos 586,04 pontos. As informações são da Dow Jones.