ASSINE VEJA NEGÓCIOS

TCU mira contrato bilionário no Porto de Santos e liminar entra no radar de ministros

Área técnica quer que Antaq refaça cálculos de investimentos depois de indícios de sobrepreço e suspeitas de irregularidades

Por Laryssa Borges Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 10 ago 2026, 10h07
TCU mira contrato bilionário no Porto de Santos e liminar entra no radar de ministros Priorizar nos meus resultados Google

Um contrato bilionário de arrendamento da Brasil Terminal Portuário (BTP), terminal de contêineres no porto de Santos, entrou na mira do Tribunal de Contas da União (TCU) e corre o risco de ser barrado por liminar até que haja uma auditoria independente e rigorosa no plano de investimentos do projeto.

O BTP é controlado pelos grupos Maersk e MSC. O movimento se insere em uma ofensiva do TCU, que no último dia 5 travou outra obra de alçada da Autoridade Portuária de Santos (APS), a que pretendia afundar o canal de acesso ao porto para permitir que navios com contêineres de grande porte pudessem trafegar pelo local com plena capacidade de carga.

No contrato de arrendamento do BTP, integrantes do TCU consideram que pode ter havido uma “fraude grotesca” nas palavras de um ministro ouvido sob reserva por VEJA, uma vez que arrendatária apresentou preços muito além da cotação de mercado e os dados simplesmente foram endossados pela Antaq, a agência reguladora que fiscaliza o setor de portos.

Conhecida como EVTEA (Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental), essa análise prévia dos custos é importante para analisar se obras de infraestrutura monumentais de fato valem a pena e funciona como mecanismo de barganha da administração pública. Um EVTEA com sobrepreço, como suspeita-se ser o caso do contrato da BTP, infla artificialmente o fluxo de caixa da empresa, mitigando a capacidade do poder público de exigir melhorias nos projetos.

Continua após a publicidade

No caso específico da Brasil Terminal Portuário, o contrato analisado pelo TCU está orçado em 2,54 bilhões de reais. A Antaq já havia identificado indicativos de sobrepreço na cotação de guindastes para carregar e descarregar contêineres, em guindastes menores para descarregar volumes de caminhões, em obras para a expansão do pátio e em projetos de eletrificação de equipamentos, mas na sequência apenas confrontou o orçamento apresentado pela concessionária com dados que a própria empresa forneceu. “A leitura da seção dedicada à análise orçamentária (…) revela que a Antaq não procedeu à verificação independente dos preços declarados pela arrendatária”, diz trecho da auditoria do tribunal.

Uma das hipóteses discutidas nos bastidores do TCU é que ao inflar desnecessariamente o volume de bens de capital e a manutenção operacional, a BTP pode ter subestimado de propósito o índice que mede a viabilidade do investimento. Com um suposto orçamento “mais apertado”, em tese se desestimulam tanto a atração de outorgas adicionais para a União quanto a negociação de investimentos em infraestrutura, como a construção de ligações rodoviárias ou a expansão de cais públicos. Tanto a concessionária quanto a Antaq negam irregularidades.

Continua após a publicidade

A agência pode ter de refazer o projeto executivo em 120 dias e analisar cuidadosamente todo o orçamento apresentado pela arrendatária. O subprocurador do Ministério Público junto ao TCU Lucas Furtado, por sua vez, pediu a concessão de uma medida cautelar até que seja realizada uma auditoria independente nos investimentos.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em amarelo e branco: O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com banner e produtos. Ao lado, um ícone de árvore verde-claraMão segurando um smartphone com tela exibindo um aplicativo de notícias e produtos. À esquerda, texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. Fundo verde escuro com ícone de árvore à direita
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Essencial

O mercado não espera — e você também não pode!
Com a Veja Negócios Digital, você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Premium
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 9,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).