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Taxa básica de juros a 9% não é problema para poupança–Mantega

Por Walter Brandimarte

WASHINGTON, 19 Abr (Reuters) – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta quinta-feira que a Selic a 9 por cento ao ano não é um problema para a caderneta de poupança e que, portanto, não há necessidade de mudar suas regras.

Para Mantega, a questão também envolve as taxas de intermediação dos fundos de investimentos, e que podem diminuir.

“Com o juro básico a 9 por cento, não há necessidade de mudar a regra da poupança”, afirmou o ministro após participar de reunião com representantes dos Brics, grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

O assunto envolvendo a remuneração da poupança pode voltar à cena após o Comitê de Política Monetária (Copom) ter reduzido a taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual, para 9 por cento ao ano na noite da quarta-feira.

O breve comunicado do Copom divulgado após a decisão, no entanto, deixou a porta aberta para mais cortes que, se acontecerem, poderiam começar a trazer distorções.

Isso porque a caderneta tem remuneração fixada em 0,50 por cento ao mês mais a variação da Taxa Referencial (TR), mas o aplicador é isento de Imposto de Renda.

Com a Selic menor, que remunera as aplicações em renda fixa, os investidores podem migrar para a poupança, causando distorções como menor demanda por títulos públicos, remunerados com base na taxa básica da economia.

O ministro voltou a dizer que as intervenções que estão sendo feitas no câmbio pelo governo são importantes para garantir a competitividade da indústria nacional.

“Nós estamos provando na prática que as intervenções no câmbio, já que outros países resolveram usar essa estratégia, são eficazes e podemos diminuir essa desvantagem que a nossa indústria tem tido”, afirmou Mantega.

BRICS E FMI

O ministro disse ainda que os Brics -grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul- não estão prontos para se comprometer com valores sobre novos recursos ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

“Nós não estamos preparados para definir uma cifra porque existem condições prévias que não foram respondidas pelos países; se vai haver o cumprimento das agendas de reformas, se as reformas estarão dentro do prazo”, afirmou Mantega, após participar de reunião com representantes dos Brics.

“Nós achamos que podemos discutir cifras gerais, mas cifras especificas dos Brics ainda não”, completou.

Para Mantega, do ponto de vista financeiro há “um pouco mais de estabilidade”, porque o Banco Central Europeu (BCE) foi liberado para fornecer mais recursos, o que acabou evitando uma crise bancária e aumentou a proteção contra a crise, trazendo “um pouco mais de segurança” à zona do euro.

Mantega acrescentou, no entanto, que existem problemas localizados. “E o que mais preocupa é o baixo nível de crescimento desses países (da zona do euro), que contagia também os países emergentes.”

O mercado está de olho na Espanha, que tem sofrido um pouco para fazer leilões de títulos públicos, com a desconfiança sobre sua capacidade de honrar compromissos.