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Tarifas dos EUA contra o Brasil podem chegar a 37,5%, avalia governo

Brasília pretende negociar investigações separadamente para evitar aumento do custo de acesso ao mercado americano

Por Ligia Moraes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 jun 2026, 15h51 | Atualizado em 3 jun 2026, 15h52
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O governo brasileiro passou a considerar um cenário de tarifa total de até 37,5% sobre parte das exportações destinadas aos Estados Unidos após o anúncio de uma nova sobretaxa pelo governo Donald Trump. O entendimento de áreas como o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Ministério da Fazenda e o Itamaraty é que a cobrança adicional de 12,5% proposta pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) pode ser acumulada à tarifa de 25% anunciada anteriormente em outra investigação comercial.

Se confirmada, a combinação das duas medidas elevaria a taxação sobre determinados produtos brasileiros para um patamar próximo aos cerca de 40% impostos pelos Estados Unidos no ano passado.

A primeira investigação foi concluída na segunda-feira, 2, quando o USTR recomendou a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. O relatório cita temas como comércio digital, Pix, propriedade intelectual, combate à corrupção, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal como justificativas para a medida.

Menos de 24 horas depois, o órgão anunciou uma segunda recomendação tarifária. Desta vez, a investigação envolveu cerca de 60 economias e concluiu que esses países não adotam medidas suficientes para impedir a circulação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. O Brasil foi incluído no grupo sujeito à alíquota mais elevada, de 12,5%.

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A leitura predominante dentro do governo é que as duas investigações são independentes e, portanto, as respectivas tarifas podem ser aplicadas simultaneamente caso avancem após o período de consulta pública.

O tema foi tratado nesta quarta-feira, 3, durante encontro entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, à margem de uma reunião da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), na França.

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Segundo integrantes do governo, os Estados Unidos manifestaram interesse em manter as negociações abertas, enquanto o Brasil defendeu a intensificação do diálogo para evitar a implementação das medidas.

A estratégia de Brasília será tentar negociar as duas investigações separadamente. A avaliação de integrantes do governo é que, mesmo que não seja possível reverter ambas as medidas, ainda existe espaço para reduzir ou eliminar uma delas durante as próximas etapas do processo.

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As propostas ainda não entraram em vigor. Antes de qualquer decisão final, o governo americano realizará consultas públicas e audiências para ouvir empresas, governos e representantes da sociedade civil. A audiência relacionada à investigação sobre o Brasil está prevista para julho, assim como a audiência referente ao caso do trabalho forçado.

A possibilidade de uma tarifa acumulada de 37,5% aumenta a preocupação de exportadores e da indústria brasileira. O próprio MDIC já havia alertado que a tarifa de 25% anunciada no início da semana poderia afetar diretamente cerca de 21% das exportações brasileiras destinadas ao mercado americano.

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Entre os setores considerados mais vulneráveis estão máquinas e equipamentos industriais, produtos plásticos, calçados, produtos de madeira, papel-cartão, ferro fundido, peixes e crustáceos. A preocupação é que uma sobretaxa adicional reduza a competitividade desses produtos em um dos principais mercados de destino das exportações brasileiras.

Apesar da escalada da tensão comercial, a avaliação do governo é que os canais diplomáticos permanecem abertos e que ainda há margem para negociação antes de uma decisão definitiva por parte dos Estados Unidos.

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