ASSINE VEJA NEGÓCIOS

Tarifaço dos EUA coloca indústria brasileira sob pressão; veja os setores mais afetados

Máquinas, equipamentos elétricos, calçados, vestuário e bens de capital estão entre os segmentos mais expostos às tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos

Por Carolina Ferraz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 jul 2026, 13h28 | Atualizado em 16 jul 2026, 15h22
Tarifaço dos EUA coloca indústria brasileira sob pressão; veja os setores mais afetados Priorizar nos meus resultados Google
Continua após a publicidade

As tarifas de 25% anunciadas pelos Estados Unidos sobre parte das importações brasileiras devem provocar impactos concentrados em setores específicos da indústria nacional. Embora a lista de exceções tenha preservado produtos relevantes para a pauta exportadora brasileira, como café, carne bovina, petróleo, suco de laranja e aeronaves, segmentos ligados à indústria de transformação permanecem entre os mais vulneráveis à nova política comercial americana.

Entre os setores mais afetados estão etanol, calçados, vestuário, açúcar orgânico, papel, máquinas agrícolas, equipamentos de mineração, ferramentas de jardinagem, maquinário elétrico, bens de capital, produtos químicos e outros manufaturados.

Para Rafael Rondinelli, economista da MAG Investimentos, o efeito será sentido principalmente por empresas altamente dependentes do mercado americano. “Os setores mais vulneráveis são máquinas de construção e mineração, bens de capital e equipamentos elétricos. Carregadeiras, tratores de esteira e motoniveladoras exportaram cerca de US$ 1,26 bilhão para os Estados Unidos em 2025. Já os transformadores de grande porte somaram aproximadamente US$ 480 milhões, sendo que 84% das exportações brasileiras desse produto tiveram como destino o mercado americano”, afirma.

Continua após a publicidade

Segundo o economista, produtos de madeira e sebo bovino também apresentam elevada exposição ao mercado americano. Já calçados, vestuário, papel, máquinas agrícolas, ferramentas de jardinagem e outros manufaturados ficaram de fora da lista de isenções e devem enfrentar maior dificuldade para manter competitividade nos Estados Unidos.

Apesar disso, Rondinelli avalia que o impacto agregado para a economia brasileira tende a ser mais limitado do que o inicialmente esperado, justamente porque o governo americano ampliou significativamente as exceções. “Em termos agregados, a ampliação das exceções torna o choque mais administrável para o Brasil e limita pressões inflacionárias nos Estados Unidos. O efeito, entretanto, pode ser intenso para empresas e polos industriais muito dependentes do mercado americano, sobretudo quando os produtos exigem certificações, contratos de longo prazo e não podem ser rapidamente direcionados a outros mercados”, explica.

Na avaliação de Marcelo Bassani, economista e sócio-fundador da Boa Brasil Capital, o mercado deve concentrar atenção justamente nas empresas ligadas aos segmentos que permaneceram sujeitos às tarifas. “Os setores que podem ser mais afetados são justamente aqueles ligados aos produtos que serão taxados, como etanol, máquinas agrícolas, vestuário, calçados e outros manufaturados em geral. São segmentos que passam a enfrentar uma tarifa de 25% e, por não terem sido incluídos na lista de isenção, tendem a apresentar maior sensibilidade aos efeitos da medida”, afirma.

Continua após a publicidade

Especialistas destacam, porém, que setores como café, carne bovina, petróleo e aeronaves, responsáveis por uma parcela significativa das exportações brasileiras para os Estados Unidos, permaneceram isentos da nova tarifa. A decisão reduz o impacto macroeconômico sobre a balança comercial brasileira, mas concentra os efeitos sobre empresas industriais com maior dependência do mercado americano e menor capacidade de redirecionar rapidamente suas vendas para outros destinos.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em amarelo e branco: O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com banner e produtos. Ao lado, um ícone de árvore verde-claraMão segurando um smartphone com tela exibindo um aplicativo de notícias e produtos. À esquerda, texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. Fundo verde escuro com ícone de árvore à direita
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Essencial

O mercado não espera — e você também não pode!
Com a Veja Negócios Digital, você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Premium
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 9,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).