ASSINE VEJA NEGÓCIOS

Tarifaço americano: empresários de Brasil e Estados Unidos tentam evitar o pior

Economistas falam sobre proposta de um 'acordo de curto prazo'

Por Veruska Costa Donato 10 jul 2026, 11h28 | Atualizado em 10 jul 2026, 14h50
Tarifaço americano: empresários de Brasil e Estados Unidos tentam evitar o pior Priorizar nos meus resultados Google

A possibilidade de os Estados Unidos anunciarem um novo tarifaço (de 25% e 12,5%) na próxima quarta-feira, 15, sobre produtos brasileiros mobilizou parte do setor privado dos dois países.

A carta

Em meio ao avanço da investigação conduzida pelos americanos com base na Seção 301, a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a U.S. Chamber of Commerce enviaram uma carta aos governos brasileiro e americano defendendo uma saída negociada para evitar o agravamento das tensões comerciais.

Tom preocupado, mas pragmático

O tom do documento é de preocupação, mas também de pragmatismo. As entidades afirmam que uma escalada tarifária prejudicaria cadeias produtivas integradas entre os dois países e defendem um acordo de curto prazo que preserve o comércio bilateral.

Proposta

A proposta prioriza o acesso a mercados para insumos industriais, bens de capital, produtos ligados à segurança energética, infraestrutura para inteligência artificial e a ampliação da cooperação em minerais críticos, áreas consideradas estratégicas para as duas economias.

Importância dos setores

Na avaliação do economista Igor Lucena, doutor em relações internacionais, a iniciativa das entidades aumenta as chances de uma solução negociada justamente pelo peso político das empresas envolvidas. “Essas empresas possuem um lobby legalizado e muito poderoso nos Estados Unidos”, afirma.

Segundo ele, há interesse direto do setor produtivo americano em evitar uma ruptura porque boa parte da cadeia industrial depende de insumos brasileiros para concluir a produção em território americano.

Continua após a publicidade

Mais isenções

Lucena, que falou ao programa Mercado nesta sexta, 10, acredita que o desfecho mais provável não seja a retirada completa das tarifas, mas a ampliação da lista de produtos beneficiados por isenções. “O foco da negociação deve ser aumentar o rol de isenções”, diz.

Café, laranja e carnes

O economista lembra que itens como café, laranja e carnes já pressionam a inflação dos alimentos nos Estados Unidos, o que cria resistência interna à adoção de barreiras comerciais mais amplas. Para ele, o embate atual “não é econômico em si, é muito mais político ideológico”.

Política de estado

O especialista em comércio internacional Felipe Cima avalia que a estratégia tarifária americana deixou de ser apenas uma política de governo para se consolidar como uma política de Estado, independentemente de quem ocupe a Casa Branca.

China e Estados Unidos

Na visão dele, a investigação baseada na Seção 301 também funciona como instrumento de negociação para que os Estados Unidos preservem sua posição estratégica diante da China e evitem perder espaço nas relações comerciais com o Brasil.

Continua após a publicidade

Empresas de tecnologia e minerais críticos

Cima entende que Washington busca ampliar seu poder de barganha em temas considerados sensíveis, como o etanol de milho, futuras regulamentações envolvendo grandes empresas de tecnologia e a tributação de serviços digitais.

“Os Estados Unidos querem abrir espaço para negociar pautas que já estavam na mesa há bastante tempo”, afirma. Assim como Lucena, ele acredita que o caminho mais viável passa por acordos específicos e pela concessão de isenções para setores considerados estratégicos.

Tentativa de evitar uma guerra tarifária

A mobilização das entidades empresariais reforça a percepção de que a disputa ultrapassa o campo político e pode produzir impactos relevantes sobre investimentos, inflação e competitividade nos dois países.

Continua após a publicidade

Ao defender uma negociação imediata, Amcham, CNI e U.S. Chamber procuram evitar que o conflito comercial avance para uma guerra tarifária mais ampla, preservando uma das mais importantes relações econômicas das Américas.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em amarelo e branco: O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com banner e produtos. Ao lado, um ícone de árvore verde-claraMão segurando um smartphone com tela exibindo um aplicativo de notícias e produtos. À esquerda, texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. Fundo verde escuro com ícone de árvore à direita
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Essencial

O mercado não espera — e você também não pode!
Com a Veja Negócios Digital, você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Premium
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 9,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).