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Superprodução de petróleo no foco de reunião da Opep

A superprodução petroleira, em particular pela Arábia Saudita, e a desaceleração econômica estão no centro das discussões dos ministros da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep), que se reúnem nesta quarta e quinta-feira em Viena, onde será debatido ainda um possível embargo ao petróleo iraniano.

“A meu ver, há claramente um excesso de petróleo no mercado”, disse nesta quarta-feira pela manhã o ministro equatoriano de Recursos Naturais Não-Renováveis, Wilson Pástor, antes de um seminário que reúne nesta quarta e quinta-feira em Viena aos 12 ministros da Opep.

O ministro líbio de Petróleo, Abdurahman Benyeza, quantificou em 1,8 milhão de barris por dia (mbd) o excesso de produção, enquanto que para seu homólogo venezuelano, Rafael Ramírez, a produção extra é de 3 mbd.

Os membros mais conservadores do cartel, Irã e Venezuela, acusam os países do Golfo, em especial a Arábia Saudita, de ter aumentado consideravelmente a produção de petróleo nos últimos meses, favorecendo a queda dos preços, que em dois meses perderam 25%.

O Brent de Londres era cotado abaixo dos 100 dólares o barril, seu nível mais baixo em um ano e meio.

Como efeito, o reino saudita aumentou consideravelmente sua oferta em dezembro, passando de 9,45 milhões de barris por dia (mbd) a mais de 10 mbd em abril, um nível histórico cujo objetivo é compensar a oferta de petróleo iraniano, que diminuiu ao mesmo tempo sua produção de 300.000 barris por dia para situar-se em 3,2 mbd, seu nível mais baixo em 20 anos, de acordo com estimativas da Opep.

Contudo, não apenas os sauditas passaram a produzir mais. A Líbia recuperou sua produção para os mesmos patamares anteriores ao conflito que derrubou o ditador Muammar Kadhafi, (1,55 mbd segundo o próprio governo líbio) e o Iraque passou de 2,62 mbd em fevereiro para 3,03 mbd em abril, de acordo com dados da Agência Internacional de Energia (AIE).

“Há um excesso de petróleo de 1,6 milhão de barris diários aproximadamente”, disse Pástor ao chegar ao Palácio Imperial de Hofburg. “A isso se soma uma situação de instabilidade de preços”, completou.

A Opep fixou em dezembro passado um teto de 30 mbd, mas de acordo com dados da Agência Internacional de Energia (AIE), a produção do cartel, que produz um terço do petróleo consumido no mundo, foi em abril de 31,85 mbd.

“Discutiremos (na quinta-feira) a oferta, a demanda e o equilíbrio necessários para o restante do ano. Estou seguro de que os membros chegarão a um consenso sobre o nível de produção, disse Abdalá el Badri, secretário-geral da Opep.

“Até o momento, os membros não apresentaram suas posições oficiais e houve apenas encontros informais”, reconheceu Ramírez à imprensa. Segundo ele, haverá encontros bilaterais amanhã (quinta-feira).

“Temos que chegar a um acordo sobre as cotas por consenso”, afirmou.