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Super El Ninõ: saiba como pagar mais barato por ar-condicionado neste ano

Com previsão de um dos El Niños mais intensos desde 1950, indústria espera aumento da demanda por aparelhos

Por Leticia Yamakami Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 28 ago 2026, 19h22 | Atualizado em 31 ago 2026, 12h12
Super El Ninõ: saiba como pagar mais barato por ar-condicionado neste ano Priorizar nos meus resultados Google

Quem pretende comprar um ar-condicionado para enfrentar o próximo verão pode economizar se antecipar a decisão. Um aparelho de 9.000 BTUs — unidade de medida que indica potência e capacidade de refrigeração —, que, durante o inverno, custa cerca de 1,9 mil reais, pode chegar a dezembro por aproximadamente 2,2 mil reais, segundo estimativa da indústria. A instalação, por sua vez, pode passar de 700 reais para mil reais no período de maior demanda. Na prática, o custo total subiria de cerca de 2,6 mil reais para 3,2 mil reais.

O efeito é ainda maior em equipamentos comerciais. Daniel Fraianeli, gerente de produtos da TCL SEMP para a área de ar-condicionado comercial, estima que uma instalação que hoje pode custar cerca de 3 mil reais pode chegar a 4 mil reais no verão, uma diferença de aproximadamente 30%. Nesse segmento, a procura tende a aumentar principalmente quando o calor evidencia problemas em aparelhos antigos ou que já não conseguem climatizar adequadamente os ambientes.

O cenário ganha relevância diante da previsão de um El Niño muito forte nos próximos meses. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as projeções apontam temperaturas acima da média no segundo semestre, com possibilidade de aumento de ondas de calor. O CPC, órgão ligado à NOAA, estima probabilidade superior a 90% de um evento muito forte no trimestre entre setembro e novembro.

Para o mercado de climatização, a expectativa é de que o calor impulsione as vendas. Álvaro Ruoso, gerente de produtos da TCL SEMP para a área de ar-condicionado residencial, estima aumento de cerca de 20% no sell-out — as vendas do varejo ao consumidor — no segundo semestre deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. Para ele, o efeito do clima deve se somar ao baixo nível de saturação do mercado brasileiro, em que menos de 20% dos domicílios têm ar-condicionado instalado. “O potencial de crescimento para essa categoria é gigantesco”, afirma.

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Preço menor antes do verão

O momento atual é particularmente favorável porque o varejo ainda carrega estoques de um verão mais ameno, marcado por mais chuva e poucas ondas de calor. Segundo Ruoso, esse excesso de produtos ajudou a derrubar os preços. Em média, ele diz que os aparelhos estão hoje cerca de 10% mais baratos do que no começo do ano, quando a temporada de calor elevava a procura.

A vantagem pode diminuir nos próximos meses. Além do aumento sazonal da demanda, a indústria enfrenta elevação nos custos de matérias-primas, como cobre, alumínio, resinas plásticas e compressores, além de custos maiores de transporte. A expectativa é que parte desses aumentos seja repassada ao varejo e, consequentemente, ao consumidor.

Há ainda a questão da disponibilidade. Uma instalação residencial leva cerca de três horas, além do deslocamento e da preparação do local. Com o aumento da procura nos meses quentes, as agendas dos técnicos ficam mais disputadas, o que pode pressionar os preços.

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Eficiência entra na conta

Além do preço de compra e da instalação, o consumidor precisa considerar quanto pretende usar o aparelho. Os modelos mais recentes são, em geral, mais eficientes do que os equipamentos antigos. Ruoso afirma que os aparelhos atuais mais eficientes podem consumir de 70% a 75% menos energia do que modelos antigos, graças, entre outros fatores, ao uso de compressores de velocidade variável.

A escolha do equipamento, portanto, depende do perfil de uso. Para quem quer climatizar um cômodo e utilizar o aparelho apenas em alguns períodos de calor, um modelo de entrada pode ser suficiente. Quem pretende deixá-lo ligado por muitas horas deve dar mais peso à eficiência energética. Já recursos como conectividade, automação e inteligência artificial podem ser considerados por consumidores que valorizam maior controle e funcionalidades adicionais. A tecnologia também está presente em modelos de diferentes faixas de preço, e não apenas nos equipamentos mais sofisticados.

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O consumo ganha ainda mais importância em um cenário de temperaturas elevadas. Fraianeli explica que o calor faz o equipamento trabalhar por mais tempo justamente quando a conta de energia pode ficar mais pesada. Por isso, a eficiência energética deve ser observada tanto em residências quanto em estabelecimentos comerciais. “Você tem um duplo incentivo para investir em aparelhos de eficiência energética mais alta: vai usar mais o aparelho em um cenário em que a energia pode estar mais cara”, afirma.

Para Ruoso, a decisão de antecipar a compra também se explica pela combinação entre oferta e procura neste momento. “Agora que você tem baixa demanda e excesso de oferta, os preços estão super razoáveis para você comprar. O melhor momento de comprar é agora.”

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