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Subprime à brasileira? BC estuda novo modelo de hipoteca

Roberto Campos Neto, presidente do banco, vê potencial de injetar até 500 bilhões de reais na economia do país com mudanças no crédito imobiliário

Por Victor Irajá - Atualizado em 18 fev 2020, 17h13 - Publicado em 18 fev 2020, 15h34

Com a intenção do Banco Central (BC) de determinar que um imóvel possa ser oferecido como garantia para a obtenção de mais de um financiamento, uma balela tomou as redes sociais: a criação de uma bolha no mercado imobiliário e a repetição da crise que assolou os Estados Unidos — e, consequentemente, a economia global — em 2008, a apelidada crise do subprime. A possibilidade do estouro de uma crise similar à americana é um cenário distante, segundo especialistas consultados por VEJA.

“A gente só correria este risco no Brasil se os bancos fechassem os olhos para o risco, o que não acontecerá”, diz Miguel Oliveira, diretor-executivo da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade, a Anefac. Segundo ele, a capacidade de pagamento do financiamento não pode ultrapassar 30% da renda dos consumidores — e, claro, os bancos não estão a fim de perder dinheiro. 

O risco de derrubada do preço dos imóveis também é uma falácia — até porque qualquer instituição jamais concederia financiamentos no valor integral dos imóveis. Com a mudança, o Banco Central espera fomentar o mercado de crédito para estimular a economia.

“A agenda do BC serve para dar segurança jurídica e permitir que o Brasil retome um ritmo de crescimento rápido. A decisão de permitir que um mesmo imóvel seja oferecido como garantia para mais de um financiamento permite que o mercado de crédito cresça, porque há espaço para crescer”, diz Nicola Tingas, consultor da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento, a Acrefi. De acordo com Tingas, a consolidação do Cadastro Positivo — que compartilha os hábitos bancários entre as instituições financeiras — coíbe os riscos de inadimplência na concessão de financiamentos. E, de fato há: o estoque de imóveis à disposição soma 12 trilhões de reais, enquanto o mercado de crédito, hoje, atinge patamares de apenas 3,5 trilhões. 

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Para o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, a medida tem potencial de injetar até 500 bilhões de reais na economia do país. O foco, agora, é intensificar o uso da modalidade de tomada de empréstimos por pessoas físicas, numa modalidade que é mais utilizada por empresas. Os patamares de juros imobiliários estão mais baixo do que nunca. A taxa básica de juros, a Selic, está no patamar de 4,25% ao ano, também o menor da história, o que barateia o crédito imobiliário, tanto para o comprador quanto para o construtor. A expectativa é que, nos próximos cinco anos, os lançamentos de novas unidades em São Paulo passem de 8 bilhões de reais anuais para 30 bilhões de reais, o recorde alcançado em 2007.

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