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S&P tira ‘triplo A’ do fundo de resgate europeu

Após rebaixar a nota de nove países, agência reduz classificação do fundo

A agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) anunciou nesta segunda-feira o rebaixamento da nota do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), que passa de ‘triplo A’ para AA+. Segundo a S&P, a decisão é consequência do rebaixamento da nota da dívida da França e da Áustria na última sexta-feira. Ambos os países integram o grupo de seis nações que dão sustentação ao fundo.

Segundo o diretor do fundo, Klaus Regling, a redução da nota não colocará em xeque a capacidade financeira do órgão. “O rebaixamento de um nível da nota do FEEF não reduzirá sua capacidade de 440 bilhões de euros. O FEEF tem meios de cumprir seus compromissos até o funcionamento do Mecanismo Europeu de Estabilidade, em julho”, afirmou o diretor em comunicado. O montante total de garantias oferecidas por todos os países da zona do euro é de 780 bilhões de euros, que significa a capacidade efetiva de empréstimos do FEEF (de 440 bilhões de euros) alavancada em 165%.

Em nota, a S&P afirmou que poderá voltar a subir a nota do fundo caso garantias suplementares sejam dadas pelos países controladores: França, Alemanha, Áustria, Suécia, Holanda e Finlândia.

O rebaixamento da nota do fundo pela S&P não significa, necessariamente, que o FEEF passará a ser enxergado pelo mercado como AA+, tendo em vista que as duas outras agências de classificação de risco, Fitch e Moody’s, não reduziram as notas dos países europeus e não deram sinais de que irão rebaixar o fundo. “A redução da nota do fundo causou menos surpresa. Como a maior parte dos recursos do FEEF é proveniente dos países garantidores, é compreensível que a classificação do fundo seja rebaixada após o corte da nota de França e Áustria”, afirma o economista Raphael Martello, da Tendências Consultoria.

Outro fator que tira a força do rebaixamento é a criação do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), que deverá entrar em ação em julho deste ano para substituir o FEEF na função de garantir liquidez aos estados europeus em dificuldades. “A redução da nota do fundo não muda o cenário, pois todos estão de olho no MEE, que é mais importante que o fundo. Enquanto o FEEF funciona por meio de garantias, o MEE atuará com o aporte de capital direto dos países”, afirma o economista Guilherme Maia, da gestora M.Safra. Na avaliação de Maia, o único impacto da redução da nota do fundo poderá vir nos próximos dias, com o aumento dos prêmios de risco sobre os títulos das dívidas dos países europeus.

Anúncio prévio Em dezembro, a S&P divulgou um comunicado afirmando que poderia rebaixar a nota do FEEF em um ou dois níveis. A S&P havia afirmado que a classificação do fundo deveria ser a mesma do país que recebesse a menor nota, entre as seis nações que garantem o fundo.

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