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SP reduz notas de França, Itália, Espanha e Portugal, mas livra Alemanha

Por Eric Piermont - 13 jan 2012, 20h25

A agência de classificação de risco financeiro Standard and Poor’s reduziu nesta sexta-feira as notas das dívidas soberanas de vários países europeus, entre eles França, Itália, Espanha e Portugal, mas manteve o “rating” da Alemanha.

Na maior parte dos casos, além da redução da nota os países ficaram sob “perspectiva negativa”, o que abre caminho para novas baixas.

A principal exceção desta chamada “sexta-feira negra” foi a Alemanha, que teve sua nota da dívida soberana mantida em AAA, com perspectiva estável, segundo o site da S&P.

Também escaparam do “corte” Bélgica, Estônia, Finlândia, Irlanda, Luxemburgo e Holanda.

Segundo a agência de classificação de risco, o pacto fiscal que está sendo negociado para reforçar a disciplina fiscal na zona do euro “não representa um avanço significativo e de alcance suficiente para solucionar completamente os problemas financeiros da região”.

A França, que gozava de um rating de crédito superior, teve sua nota AAA reduzida para AA+, comprometendo a credibilidade do país e intensificando as incertezas sobre a crise da dívida.

O primeiro-ministro francês, François Fillon, estimou que “não é uma boa notícia, mas também não é uma catástrofe, já que não são as agências de classificação que ditam a política da França”.

“A França está no bom caminho”, afirmou nesta sexta-feira o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, após a agência de classificação de risco Standard & Poor’s reduzir a nota da dívida soberana francesa.

“Juntos devemos cumprir as regras, manter a competitividade, o que vamos fazer unidos. Estamos no bom caminho”, declarou Schäuble à imprensa durante um comício para a eleição regional em Kiel, no norte da Alemanha.

Schäuble não descartou que a decisão da Standard & Poor’s sobre a França tenha um impacto na Alemanha: “acredito que estamos todos estreitamente ligados e por esta razão, isto não nos deixa indiferentes”.,

A redução da nota da Itália foi mais severa, em dois níveis, de A para BBB+, deixando o país no mesmo patamar da Irlanda.

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A S&P já havia reduzido a nota da Itália, de A+ para A, em setembro passado, diante da instabilidade do governo de Silvio Berlusconi e de sua resistência a aplicar medidas de austeridade.

Em novembro, o governo de Berlusconi foi substituído por um executivo de tecnocratas dirigido pelo ex-comissário europeu Mario Monti, que logo adotou um duro plano de austeridade, o terceiro em poucos meses, visando equilibrar as contas públicas em 2013.

Com um nível recorde de dívida (1,9 trilhão de euros ou 120% do PIB) e uma economia em recessão, a Itália deve enfrentar este ano o desafio de buscar 450 bilhões de euros nos mercados, pagando taxas superiores as habituais.

Esta é a primeira vez que a dívida a longo prazo da Itália cai para a classificação B, o que deixa o país no mesmo nível de Colômbia, Cazaquistão, África do Sul e Tailândia.

Portugal sofreu uma queda em dois degraus, de BBB- para BB, passando à categoria de investimentos especulativos, com perpectiva negativa, o que antecipa uma nova revisão a médio prazo.

A nota da Espanha também caiu em dois níveis, de AA- a A, e segundo a S&P, há uma chance em três de uma nova redução em 2012 ou 2013, especialmente se o governo em Madri não conseguir reduzir o elevado nível de desemprego.

A Standard and Poor’s reduziu ainda as notas de Áustria, Eslováquia, Eslovênia, Chipre e Malta.

O presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, reagiu à decisão da S&P afirmando que fará “todo o possível” para conservar a nota máxima (AAA) do fundo de resgate europeu, principal instrumento para se enfrentar a crise da dívida.

“Os países que dão garantia ao FEEF (Fundo Europeu de Estabilidade Financeira) estão determinados a fazer todo o possível para conservar o triplo A do Fundo”, destacou Juncker.

O ministério alemão da Economia garantiu que a zona do euro vai “sanear suas finanças públicas” e que a Alemanha está “determinada para contribuir com a superação da crise”.

“Com o andamento das decisões da Cúpula (da UE em dezembro) e com o acordo vinculante sobre regras fiscais concretas, vamos estabilizar as finanças dos membros da zona do euro de forma duradoura e recuperar a confiança dos mercados”, destacou o ministério.

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