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S&P rebaixa rating da dívida dos Estados Unidos para AA+

Agência de classificação de risco considera plano fiscal americano insuficiente para sanar os problemas econômicos

Por Da Redação 5 ago 2011, 21h58

A agência de classificação de risco Standard&Poor’s rebaixou a nota da dívida americana nesta sexta-feira para AA+, o que significa que a maior economia do mundo deixou de ser AAA. A agência, assim como a Moody’s e a Fitch, vinha ameaçando rebaixar a nota do país se não houvesse sinalização de melhora para a situação fiscal do país no longo prazo. Com a aprovação do plano de redução de gastos do governo dos Estados Unidos e a consequente elevação do teto do endividamento, na última terça-feira, o fantasma do calote foi dissipado e as ameaças, por ora, cessaram. O rebaixamento da S&P, no entanto, surpreendeu os mercados na noite desta sexta-feira. Na próxima segunda-feira, é praticamente certo que haverá mais um dia de turbulência nos mercados (veja quadro abaixo).

“O rebaixamento reflete nossa opinião de que o plano de consolidação fiscal que o Congresso recentemente concordou em aplicar está aquém do que seria necessário para estabilizar a dinâmica da dívida de médio prazo do país”, afirmou a agência em comunicado.

Ainda de acordo com a S&P, o rebaixamento significa que a eficácia, a estabilidade e a previsibilidade das instituições políticas e formuladoras de políticas dos EUA enfraqueceram, assim como foi previsto quando a agência colocou a nota do país em perspectiva negativa. “Desde então, mudamos nossa visão das dificuldades para a superação das divergências entre os partidos políticos quanto à política fiscal, o que nos torna pessimistas quanto à capacidade do Congresso e do governo de alavancarem seu acordo, esta semana, para um plano de consolidação fiscal que estabilize a dinâmica da dívida do governo em algum momento próximo”, prossegue o relatório.

Perspectiva negativa – O texto também diz que a perspectiva do rating de longo prazo é negativa. “Nós poderemos rebaixar o rating para AA nos próximos dois anos, se virmos que uma redução de déficit menor do que aquela acordada, taxas de juro mais altas ou novas pressões fiscais durante esse período resultem em uma trajetória geral para a dívida mais alta do que assumimos atualmente”, informou a agência.

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Tema em foco: A crise da dívida dos Estados Unidos

A S&P manteve inalterada em AAA a classificação de transferência e conversibilidade, que avalia a probabilidade de interferência governamental na capacidade de emissores norte-americanos dos setores público e privado de assegurarem moeda estrangeira para honrar o serviço de suas dívidas.

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Bastidores do rebaixamento – A decisão inédita da agência ocorreu após muitas horas de drama, de acordo com relatos do jornal Wall Street Journal. A notícia teria vazado aos mercados no início da manhã, fazendo que o mercado operasse com volatilidade durante todo o dia. Por volta das 14h30 (horário de Brasília), a S&P teria notificado o Tesouro americano sobre a iminência do rebaixamento. Representantes do Tesouro teriam encontrado dissonâncias na avaliação da S&P, como uma diferença de 2 trilhões de dólares na matemática que definia o endividamento ideal para o país. Tal erro causou atraso na divulgação da nota.

Dívida americana – Após um embate político que perdurou mais de um mês, entre o Partido Republicano e o Democrata, o Congresso americano aprovou na última terça-feira um plano fiscal que eleva o teto do endividamento do país em 2,1 trilhões de dólares, acima dos 14,3 trilhões de dólares atuais. O plano também prevê um contingenciamento de até 2,4 trilhões de dólares nos próximos dez anos.

Os cortes serão aprovados pelo Congresso em duas etapas, sendo 917 bilhões de dólares imediatamente, e 1,5 trilhão de dólares no fim do ano, que seriam definidos por um comitê formado por democratas e republicanos da Câmara e do Senado. Se a comissão não chegar a um acordo sobre pelo menos 1,2 trilhão de dólares em economias, ou o Congresso rejeitar as sugestões, cortes automáticos nesse valor começariam a ser feitos em 2013. A contenção de despesa recairia, assim, igualmente sobre programas domésticos e militares. O Escritório de Orçamento do Congresso estima que o plano, na prática, pode cortar ao menos 2,1 trilhões de dólares.

Confira infografia sobre as propostas para dívida americana discutidas no Congresso

(com Agência Estado)

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