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S&P rebaixa nota do Egito por instabilidade política

Londres, 24 nov (EFE).- A agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) rebaixou nesta quinta-feira a nota da dívida soberana do Egito a longo prazo em moeda local e estrangeira de BB- para B+ com perspectiva negativa, enquanto manteve em B a de médio prazo.

Em comunicado, a agência justificou sua decisão afirmando que o ‘frágil perfil econômico e político’ do país está se ‘deteriorando ainda mais’.

‘A isto é preciso acrescentar os recentes confrontos entre manifestantes e as forças de segurança, que começaram em 20 de novembro de 2011 e resultaram em uma perda significativa de vidas’, aponta a nota.

A agência lembra que no mês passado já havia advertido que rebaixaria a nota do Egito se a ‘transição’ fraquejasse de uma maneira que desembocasse em mais ‘confusão política’, o que, por sua vez, iria exercer pressão sobre suas ‘reservas líquidas internacionais’.

Segundo a S&P, as reservas caíram continuamente de US$ 36 bilhões do início do começo do ano ‘até US$ 22 bilhões’, segundo números de 31 de outubro.

‘Acreditamos que as medidas adotadas pela Junta Militar egípcia, como a de permitir uma escalada da violência na Praça Tahir para dispersar os manifestantes, enfraqueceram as perspectivas de uma transição pacífica para a democracia e a capacidade do governo para pôr as finanças públicas em um caminho mais estável’, indica o comunicado.

Apesar da incerteza, a S&P ainda acha possível a realização de eleições parlamentares e presidenciais em 28 de novembro e em julho de 2012, respectivamente, segundo o calendário previsto.

No entanto, lembra que qualquer futuro governo enfrentará grandes desafios no Egito, onde, por exemplo, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita em 2011 se situa em US$ 2,7 mil e seu Índice de Desenvolvimento Humano em 2010 ocupava o posto 101 em uma lista de 169 países.

Por esse motivo, a S&P prevê que o próximo Executivo continuará manejando um ‘alto déficit governamental, como os anteriores’, o que enfraquecerá a renda e aumentará a despesa, sobretudo em alimentos e em subsídios para combustíveis.

‘A perspectiva negativa reflete nossa opinião de que a tomada de decisões do governo e da Junta durante o processo de transição política poderia debilitar a capacidade do Egito para satisfazer as necessidades de financiamento e as necessidades externas do país’, acrescenta a nota.

Se a ‘confusão política continuar’, conclui a agência, o Egito poderá sofrer em breve outro rebaixamento de sua nota de crédito. EFE

ja-psh/mm