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S&P mantém grau de investimento do Brasil

Agência de classificação de risco manteve a perspectiva estável para a nota do país, o que representa alívio para o governo

Por Da Redação - 23 mar 2015, 18h45

A agência de classificação de risco Standard & Poor’s manteve inalterada a nota da dívida soberana do Brasil em “BBB-” com perspectiva “estável”, apesar da delicada situação do governo da presidente Dilma Rousseff, que enfrenta protestos e o escândalo de corrupção na Petrobras. “Apesar do complicado cenário político e econômico enfrentado pelo Brasil, reafirmamos nossas notas e a perspectiva estável”, afirmou a S&P em um comunicado divulgado em Nova York.

Isso significa que o país mantém seu grau de investimento, que é uma espécie de chancela das agências de que o país ainda é um porto seguro para investimentos. A nota BBB-, contudo, é a mais baixa no ranking de graus de investimento da S&P. Caso o país seja rebaixado em um degrau, os títulos emitidos pelo governo passam a ser considerados de ‘grau especulativo’, ou seja, possuem um alto risco de calote. Há fundos de pensão no exterior que não podem aplicar em papéis de países com esse tipo de nota.

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Em fevereiro, a agência de classificação de risco Moody’s rebaixou a nota da Petrobras para ‘grau especulativo’, afetando diretamente os títulos emitidos pela empresa no mercado de dívida.

Os analistas da S&P dizem que, apesar das dificuldades enfrentadas pelo governo, as sinalizações de política econômica neste segundo mandato da presidente Dilma Rousseff mudaram “consideravelmente”, o que não estava no cenário base. No comunicado de sua decisão, a agência citou o esforço do governo para executar o ajuste fiscal e o aperto monetário por parte do Banco Central para conter a inflação.

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“O governo ainda tem de detalhar uma agenda de crescimento a médio prazo, mas esperamos que as medidas no final do ano, com uma ênfase renovada sobre a participação do setor privado em projetos de infraestrutura. Este é um outro componente chave para impulsionar o sentimento empresarial, que foi danificado nos últimos anos por decisões políticas irregulares e, atualmente, por incertezas associadas com repercussões econômicas da Petrobras e os riscos de racionamento de água e energia”, dizem os analistas da agência.

A S&P afirmou ainda que a nota reflete a visão de que as instituições brasileiras são bem estabelecidas e que há um amplo compromisso com políticas que mantenham a estabilidade econômica. O texto diz que, apesar do escândalo da Petrobras, as investigações da Operação Lava Jato destacam “a força do quadro institucional do Brasil, incluindo a independência do Ministério Público”.

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A S&P avalia que levará algum tempo para se corrigir os efeitos das manobras fiscais “maiores que o esperado” feitas em 2014, em meio a um cenário de contração econômica que é agravado pelos efeitos da investigação de um esquema de corrupção na Petrobras.

No entanto, a S&P cita a mudança na condução da política econômica para fortalecer o compromisso com a política fiscal e remover diversas distorções econômicas, incluindo a repressão de preços administrados.

A expectativa da S&P para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2015 é de retração de 1%, passando para crescimento de 2% em 2016 e de 2,3% em 2017. A retração prevista para este ano reflete o impacto dos apertos fiscal e monetário, uma queda no investimento da Petrobras e sua cadeia de fornecimento no setor de construção, e apoio limitado das exportações no curto prazo.

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Alívio relativo – Apesar da manutenção do rating pela S&P, o maior temor de rebaixamento recai sobre a Moody’s, que mudou a perspectiva da nota do Brasil de ‘estável’ para o campo negativo no ano passado. O rebaixamento da nota da Petrobras pela Moody’s também é um indicativo de que a agência tem agido com rigor ao classificar os ativos das principais empresas do país. Assim, a agência está mais próxima de rebaixar a nota brasileira do que as demais.

A Fitch manteve a nota estável. As duas agências restantes devem rever a nota do país este ano. Por isso seus representantes estiveram em Brasília nas últimas semanas reunindo-se com autoridades do governo – em especial o ministro da Fazenda Joaquim Levy. O objetivo é coletar informações para as próximas análises.

(Da Redação)

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