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S&P ameaça reduzir nota da dívida dos EUA em 2014

A agência de classificação de risco Standard & Poor’s ameaçou nesta sexta-feira cortar novamente, em 2014, a nota da dívida soberana dos Estados Unidos, mantida em AA+ com perspectiva negativa, em razão das dificuldades políticas para combater o déficit fiscal.

Depois de reduzir a nota triple A, a máxima qualificação em sua escala, em agosto de 2011, a S&P afirma agora que “a perspectiva negativa” foi mantida.

“A perspectiva negativa reflete nossa visão de que os riscos creditícios nos Estados Unidos, principamlente políticos e fiscais, poderão levar a uma nova redução da nota AA+ (da dívida) de longo prazo em 2014”, advertiu a agência.

A S&P já havia advertido em agosto de 2011 que se os políticos não conseguirem solucionar juntos o buraco nas finanças públicas americanas e reduzir a dívida no médio prazo, os Estados Unidos poderão enfrentar outra redução da nota.

No entanto, a qualificadora de risco afirmou que os Estados Unidos ainda merecem uma nota alta, por sua qualidade de emissor de uma moeda-chave nas reservas mundiais.

“Consideramos que os Estados Unidos têm uma economia muito diversificada e orientada para o mercado, com uma estrutura econômica adaptável e resistente, e tudo o anterior contribui para a qualidade da força creditícia”, afirmou.

No entanto, a agência informou que a capacidade do governo de implementar reformas “fragilizou-se nos últimos anos, particularmente em relação à direção geral da política fiscal”.

“Pensamos que os recentes conflitos de ideologias nos dois maiores partidos políticos nos Estados Unidos poderão gerar incerteza sobre a capacidade do governo e sua vontade de sustentar finanças públicas sólidas no longo prazo”, afirmou.

A agência de classificação de risco também expressou suas dúvidas de que as soluções de longo prazo pudessem sair das eleições presidenciais e legislativas de novembro.

“Apesar de as eleições de 2012 resolverem o debate fiscal nos Estados Unidos, consideramos esta saída como pouco provável”, afirmou a agência.

As notas das dívidas refletem a solidez de uma economia. Um corte destas qualificações pode afetar os juros pagos por um país para se endividar nos mercados internacionais, algo especialmente delicado para os Estados Unidos.