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Solução para fome está nas zonas rurais dos países pobres, indica FAO

Por Da Redação 8 fev 2012, 09h15

Genebra, 8 fev (EFE).- Três quartos dos 925 milhões de pessoas que passam fome no mundo vivem em zonas rurais de países pobres e em desenvolvimento, e melhorar sua capacidade de produção e acesso aos alimentos é a solução para combater esse problema, afirmou nesta quarta-feira o diretor-geral da FAO, José Graziano.

‘São produtores pobres, com as menores taxas de produtividade. Temos que considerar isso para encontrar a resposta ao problema da fome’, disse Graziano em uma conferência organizada pela revista ‘The Economist’ para discutir a capacidade do mundo para alimentar 9 milhões de pessoas em 2050.

Graziano disse que é preciso ampliar a produção e melhorar a distribuição e o fornecimento ‘onde é mais necessário, nos países em desenvolvimento, e combiná-lo com medidas que promovam o acesso das pessoas mais necessitadas aos alimentos’.

O diretor-geral da FAO defendeu ainda o aumento da relação entre a produção local e o consumo por meio de programas que troquem dinheiro por trabalho e promovam transferências de recursos.

Essas medidas, argumentou Graziano, ‘não apenas aumentam a capacidade de recuperação das famílias, mas favorecem a produção e os mercados locais ao traduzir suas necessidades alimentares em um estímulo ao consumo’.

Graziano lembrou que atualmente o alimento disponível para cada pessoa é 40% superior ao que era em 1945, apesar da população ter aumentado desde então em 4,5 bilhões de pessoas, algo que não gerou uma divisão equilibrada.

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‘A evidência de nosso fracasso coletivo é que quase 1 bilhão de pessoas estão desnutridas e que mais de 1 bilhão têm sobrepeso ou são obesas’, destacou.

O diretor explicou que se o acesso aos alimentos não for melhorado no âmbito local, ‘haverá risco de em 2050 o mundo ter comida suficiente para todos, mas ter milhões de pessoas desnutridas’. ‘Muito parecido com hoje’, comparou Graziano.

‘Mesmo se ampliarmos nossa produção agrícola em 60% nos próximos 40 anos, a porcentagem de desnutridos nos países em desenvolvimento estará em torno de 4% em 2050, ou seja, haverá 300 milhões de pessoas insuficientemente alimentadas’, acrescentou.

‘A pergunta não é se poderemos alimentar a população mundial em 2050, mas como fazer isso’, já que existem os recursos e a capacidade – ‘hoje e nas próximas quatro décadas’ – para garantir a segurança alimentar da população mundial, declarou o diretor-geral da FAO.

Graziano também chamou a atenção para o desperdício de comida, já que atualmente um terço dos alimentos produzidos é jogado fora, principalmente nos países desenvolvidos.

O desperdício per capita dos consumidores da Europa e da América do Norte está entre 95 e 115 quilos por ano, enquanto na África Subsaariana e no sul e no Sudeste Asiático a média anual de comida jogada fora está entre 6 e 11 quilos per capita.

‘Se reduzíssemos o desperdício e a perda de alimentos em torno de 25%, teríamos comida adicional para 500 milhões de pessoas por ano sem ter que produzir mais’, destacou Graziano. EFE

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