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Soja, combustíveis e alimentos pressionam IGP-10

Por Da Redação - 17 jul 2012, 13h07

Por Daniela Amorim

Rio – A soja e seus derivados, combustíveis e alimentos in natura (em destaque o tomate) foram os principais responsáveis pela alta da inflação no atacado medida pelo Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) em julho. A inflação medida pelo índice ficou em 0,96% neste mês, ante 0,73% em junho. Somente o complexo soja respondeu por 58% da taxa de 1,24% do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-10), que compõe o IGP-10.

“O que tem chamado a atenção no IGP, no momento, é soja e derivados, combustíveis e alimentos in natura. Isso resume os fatores que estão pressionando o indicador”, disse o economista André Braz, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV). “Boa parte desse salto para 0,96% (no IGP-10 de julho) não é disseminado, não são muitos atores que estão promovendo o avanço no IGP. Então, essa alta pode não ter fôlego, ela pode vigorar enquanto a soja se mantiver em patamares elevados”, acrescentou.

A soja em grão passou de uma alta de 5,05% no IGP-10 de junho para um avanço de 10,17% em julho. O complexo soja – que inclui o grão, o farelo de soja, óleo in bruto e óleo refinado – saiu de um aumento de 4,83% em junho para 9,31% em julho, o que resultou em uma contribuição de 0,72 ponto porcentual no IPA-10 deste mês, o equivalente a 58% da inflação no atacado.

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Tanto o IGP-M quanto o IGP-DI de julho ainda devem mostrar essa aceleração no IPA puxada pelo grão e derivados, mas é possível que o ritmo de alta diminua na leitura do IGP-10 de agosto. “Mesmo com os aumentos dos combustíveis, que ainda não foram totalmente captados, tudo vai depender do efeito da soja. Há um limite para a escalada da soja. O grão está subindo por um efeito de choque de safra nos Estados Unidos”, contou Braz.

O peso da soja em grão no IPA é de 5,14%. Os preços subiram no mercado internacional devido a previsões de estiagem na maior região produtora dos Estados Unidos, acompanhado de um aumento da demanda no País pelo óleo do grão. Mas, segundo Braz, como a cotação no mercado externo costuma ter alguma especulação, é possível que os preços se acomodem em novo patamar ou até recuem um pouco nas próximas leituras, aliviando a pressão vista em julho.

A soja em grão impulsionou os preços no subgrupo matérias-primas brutas, enquanto o farelo de soja e o óleo diesel elevaram a inflação nos bens intermediários. Nos bens finais, os alimentos in natura foram vilões, com destaque para o tomate.

Os combustíveis responderam por 11,3% da taxa do IPA-10 de julho: parte do reajuste da gasolina foi sentida nos bens finais, parte do reajuste do óleo diesel impactou os bens intermediários.

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Ainda no IPA, 0,07% da taxa foi resultado do aumento no tomate, que teve o cultivo prejudicado por questões climáticas, que devem ser revertidas no curto e médio prazos. Dentro dos bens finais, o fruto respondeu por 25% da variação de 0,84% em julho. “Um quarto dos bens finais foi só o tomate”, notou o economista do Ibre/FGV. O tomate saiu de um avanço de 50,47% em junho para 38,41% em julho.

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